domingo, 26 de fevereiro de 2012

Resgates no carnaval

Falar do que se vê em reunião mediúnica não é nada fácil. Explicar o que os olhos da alma vê é algo incomum e, até para os céticos, uma grande bobagem e criação de uma mente excitada. Pois bem, a reunião mediúnica de segunda-feira, acontecendo em plena atividade carnavalesca, onde as mais loucas situações acontecem no plano material e principalmente no espiritual, estava em singular harmonia e sintonia com irmãos que respiram bondade e amor.

No ambiente, um orvalho fino e tênue em tons dourados caia sobre os participantes daquela reunião, que estavam ali, prioritariamente, em favor dos irmãos que abusam do livre arbítrio e, sem noção alguma, se entregam as extravagâncias da carne.

O grupo, em conjunto com a espiritualidade maior, instrutores do grupo formado pelos franciscanos e liderados pelo irmão Junot, já estavam preparados para receber os que, no plano espiritual, estavam sendo resgatados das zonas de pranto.

Um grande farol iluminou a região desguarnecida dos soldados das trevas que se deliciavam “lá em cima” nas festas de carnaval. A visão era terrível. Lamentos e prantos eram lançados no ar...dor, vergonha, medo...

Irmãos desencarnados com os mais variados problemas e sofrimentos, desgastados pela falta de compreensão e entendimento, foram sendo resgatados e chegavam aos poucos. Muitos eram trazidos em caravanas amorosas de espíritos corajosos que desceram às furnas e locas umbralinas resgatando os que, verdadeiramente, queriam socorro e alívio para medonho sofrimento.

Já no plano material a reunião continuava em pleno fervor das preces. A descrição do momento é algo quase impossível...luz de tons verdes substituíram os dourados e o movimento circular de preces foram entonadas pelos médiuns virando um grande rodízio de luz e em alta sintonia de amor.

Os franciscanos recebiam os pequenos agrupamentos com aquela disposição, sempre munidos de compaixão. A primeira impressão era de um grande posto de socorro recebendo feridos da alma.

Muitos encaminhados para outras alas, outros recebendo o choque anímico, outros recebiam banhos de luz.. e assim encaminhávamos para o fim da reunião em nosso plano, mas o trabalho estava apenas começando para os trabalhadores do além... 

O Grupo Irmãos Fraternos

continuação de A razão que a própria razão desconhece...

- Sim, aqui é o Hospital da Luz conforme você alega. Prosseguiu o irmão, porém, para ir buscar os pacientes nas Cavernas sua caravana tem que cruzar por dentro do meu território.

- Mas, ninguém é dono dessas plagas além do Pai Criador, argumentou Tertuliano.

- Eu sou o dono desse pedaço e quando vocês me pediram permissão para atravessá-lo eu liberei desde que não mexessem com os meus. E o que tive por essa condescendência? Traição. Isso mesmo, seus traidores. No retorno trouxeram um dos meus que pediu socorro. Eu o quero de volta! Bradava e vociferava como se estivesse possesso.

- Calma, calma! Alegava Tertuliano. Desse modo não poderemos resolver nossa contenda. Porém se resgatamos um "dos seus" como alega é por que ele necessitava e ansiava por paz!

- Isso não importa! Havíamos feito acordo com esses "padrecos" (referia-se aos franciscanos) e com aquele fracote ali e fui traído! Isso não vai ficar assim!

Aqui vamos fazer um parenteses para algumas explicações que se fazem necessárias. O trabalho mediúnico tem duas relações: a material, representada pelos médiuns encarnados e a espiritual, representada pelos mentores e trabalhadores desencarnados.

Desde o início da formação do grupo mediúnico, quando ainda fazíamos o curso de estudo da mediunidade, em algumas vibrações os futuros médiuns ostensivos sempre comentavam da presença de irmãos franciscanos na sala. Nas primeiras reuniões um Irmão franciscano trouxe-nos bela mensagem com orientações sobre os trabalhos e desse modo, resolveu-se codinomear o grupo como Grupo de Estudo da Mediunidade Irmãos Fraternos.

Alguns médiuns videntes observam sempre a presença de muitos franciscanos em nossas reuniões, porém, entre eles destaca-se um, o Irmão Alex - o fracote que se referiu o irmão trevoso. Segundo ainda os médiuns, ele é de estatura baixa (aproximadamente entre 1m60cm a 1m65cm), pele moreno-clara, olhos castanhos, cabelos lisos e castanhos, porém de uma claridade capaz de ferir os olhos e sempre se mostra quase transparente. Traz no olhar amor e compaixão para com todos, além da paz contagiante.

Após esses anos de relação com o mundo espiritual temos ciência de que irmãos da Legião de Maria de Nazaré, hindus, orientais, entre outros são frequentemente observados nas reuniões e, provavelmente, encarregados do translado daqueles que são resgatados nas zonas umbralinas.

Voltemos a passividade. Nesse momento, como não conseguia mais se fazer ouvir, Tertuliano aplicou passes calmantes nos centros de força coronário e frontal, ao que o irmão questionou:

- O que você está fazendo comigo? Estou ficando tonto e sonolento. Pare! Eu ordeno que pare! E esse aparelho em minha cabeça? Por quê estão me colocando esse capacete? Me soltem, me soltem!

...tenha mais um pouco de paciência que essa história acabará...

Dedico essa parte aos meus Irmãos em fé e inesquecíveis Beto e Bete!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A razão que a própria razão desconhece...

Continuação de Boo! Tem hora que dá medo!

Nesse momento, remontei aos diversos sonhos, quando em desdobramento frequentava lugares escuros, pessoas lascivas, sexo, medos e fugas volitantes. Será que o irmão referia-se a mim? Certamente que sim! Enfim dei graças à Deus pela raridade dessas viagens nos dias atuais.

Certo de que a carapuça serviria em todos os participantes da reunião, o Irmão Tertuliano prosseguiu o diálogo com coerência:

- Pois bem Irmão, agradecemos vosso aviso, pois desse modo nos ajuda a revermos-nos dentro da necessidade da mudança, da reforma interior e buscarmos no Cristo o verdadeiro caminho.

- Nem me fale nesse aí! Exclamou o padecedor irmão. Esse fraco, esse cordeiro! Se fosse realmente quem diz ser não teria se deixado ofender! Eu não, sou forte. Domino e meu reino é grande. Muitos estão sob minha custódia e tantos outros sob meu jugo!

Então, aparteou o Irmão Tertuliano:

- Por vezes o que julgamos fraqueza na realidade é força. Força do amor, querido irmão. Se o Mestre permitiu-se sofrer foi por amor a nós. Para nos mostrar que o Reino de Deus pertence aos mansos e pacíficos.

Gargalhou estentoreamente e adendou:

- Amor? Que tipo de amor foi usado nas Cruzadas? Amor ao poder e ao ouro? E na Inquisição? Amor de perdição, morte e dor? Esse é o amor do seu Cordeiro!

- Equivoca-se meu amigo. Respostou Tertuliano. A palavra é fria, contudo suas interpretações trazem o calor das visões apaixonadas em busca das desculpas para os atos vis e pessoais. Jesus sempre pregou a mansietude e se deturparam o sentido dos seus ensinamentos em busca de proveito próprio, em nada muda seu Evangelho.

- Pois, em nome desse evangelho disseram-me que eu deveria lutar pela Terra Santa. Deixei os meus e segui a cruz. Iniquidade foi o que encontrei pelo caminho. Ao retornar havia tanto sangue manchando minhas mãos que nunca mais pude me refazer. Quando morri vaguei pelos Vales de dor, sem contudo livrar-me da culpa. Reencarnei para aprendizado séculos depois e por ironia em família católica. 

- Sim, meu irmão, prossiga, adiu Tertuliano.

- Desde pequeno via e ouvia coisas. Cristão penitente confessava as ocorrências ao meu pároco. Covardemente escreveu carta a seus superiores no reinado de Aragão. Endemoniado diziam-me! Correntes e grilhões, açoites e confissões culminaram na fogueira! Quanta dor! Por isso, a vingança e a algia me comprazem e não são essas suas palavrinhas que me demoverão do meu intuito. Só vim avisá-los para não interferirem com os meus e nem no meu território.

- Mas nós não estamos interferindo em seu território. Essa Casa de Socorro pertence à Luz e pelo que eu sei vosso território localiza-se nas Trevas, argumentou Tertuliano.

Aguarde pacientemente, ainda tem mais...

     

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Boo! Tem hora que dá medo!


Explicava-me o Irmão Tertuliano, momentos antes do início da parte prática de nossa reunião de estudos da mediunidade, que a mais das vezes, as passividades ou “incorporações”, como algumas pessoas denominam são mensagens e acima de tudo, exemplos claros para nortearem a nossa conduta e nos levar a reflexões sobre os caminhos seguidos nessa encarnação.
Após singela prece e concentração dos médiuns, a irmã Anália entra em sintonia com irmão em difíceis condições de harmonia. Médium semi-consciente, inicia a passividade sentido as dores e as preocupações que afligiam o irmão em questão, o qual reclamava que a médium não permitia fossem abertas suas asas.
Blasfemando e indignado bradava:
- Vocês todos me pagam! Por que esses “padres” (referia-se ele aos irmãos franciscanos responsáveis pelos trabalhos da casa) me amarram? E essa indigna, que não permite que eu abra minhas asas? Você sabe quem eu sou, seu bastardo?
Pacientemente, mas de modo firme, ponderou o Irmão Tertuliano:
- Bem vindo à nossa casa meu irmão! Seu ódio e a sua violência em nada ajudarão o nosso diálogo! Sabemos bem quem és e de onde vens. Infelizmente, fez-se necessário que sua vinda até nós precisasse dessas amarras, como você mesmo há de convir!
- Vou acabar com todos vocês! Exclamava. Como ousam tirar-me dos meus domínios contra minha vontade. Essa área aqui é minha e vocês estão interferindo em minhas tarefas. Isso não vai ficar assim!
- Acalme-se meu irmão. Ponderou Tertuliano. Se vens aqui é porque já se faz necessário e de algum modo seu coração já anseia. Por vezes insistimos em caminharmos pelas trevas quando luze em nossos corações filigranas da paz do Mestre Jesus.
Mais irritado e sentido-se atado, vociferou:
- Balela, balela! Sou temido e respeitado e meus dominados são muitos. Eles precisam da charrua para não saírem do caminho. Como vocês estão equivocados! Exclamou. Os dominados estão nessa condição porque nela se comprazem. Usaram e abusaram dos vícios diversos quando encarnados e agora necessitam de mãos fortes para encaminhá-los.
- Encaminhá-los para onde, caro Irmão? Ponderou Tertuliano. Para a dor e o sofrimento? Para a subjugação e a escravidão nas cavernas? A cada um de nós já nos basta a Lei do Pai escrita em nossas consciências, além disso, como bem sabes somos totalmente responsáveis por aquilo que cativamos!
- Sim e daí? Quem lhe disse que me preocupo com isso? Adoro a dor e o fazer sofrer. Sou feliz do modo que estou! Afirmava o indigitado sofredor. Além disso, muitos de vocês encarnados, quando no sono procuram meus serviços para satisfazerem seus desejos mais recônditos.
Prosseguirá...    

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Hum...muito interessante!

Por vezes me pego pensando sobre as diversas passividades levadas a efeito em nossa reunião mediúnica. Reflexões sobre as dificuldades de ser médium iniciante e perceber de tudo e de todos sintonias diversas. O mal estar constante, a pressão no cérebro, dores corporais são bons motivos para que muitos desistam dessa incumbência.
Por outro lado, com o passar dos anos e pelos estudos da mediunidade, as passividades, as sintonias constantes e as reações passam a ser melhor controladas, o que não significa que tudo são mil maravilhas.
Observando o Irmão Tertuliano em uma de nossas reuniões pude notar que, através do magnetismo ele conduz o “paciente” desencarnado a entender suas dores e desesperos, diminuindo os reflexos de seu estado mental no perispírito do médium.
 De qualquer forma, sempre fica evidente que essa relação da passividade é dupla. Isto é, metade depende dos conhecimentos e da vontade do médium e outra metade revela-se pela condição moral do desencarnado.
Por isso, acredito ser um grande ato de amor do Criador para conosco quando nos permite esse trabalho de intercâmbio, onde os primeiros socorridos somos nós mesmos, pois a Espiritualidade de Amor está sempre a nos secundar visando nosso equilíbrio em favor do próximo.
Declinarmos de ir à reunião mediúnica por motivo fútil é o mesmo que nos pouparmos de receber tratamento único em nosso proveito. De estarmos olvidando o auxílio daqueles que nos amam e, principalmente deixarmos de doar a quem precisa e esquecendo da máxima maior dessa Doutrina de amor: “sem caridade não há salvação”.