terça-feira, 27 de setembro de 2011

Afinal quem somos?

É desconcertante e desestimulante quando você acredita estar evoluindo passo a passo e toma consciência de que tudo não passa de pura aparência. De que na realidade és uma grande mascara apresentada às pessoas na sua vigília, pois durante o desdobramento busca refúgio nos mais recônditos antros das trevas.
Foi assim que sentiu-se o irmão trabalhador do grupo mediúnico, Seu Carlos, quando um irmão desencarnado e tão desarvorado quanto ele utilizou-se da mediunidade psicofônica para esclarecer algumas verdades.
Esclarecido pelo Irmão Tertuliano, tivemos o seguinte diálogo:
- Acalme-se irmão! Exclamou Tertuliano.
Ao que argüiu o desencarnado:
- Como posso me acalmar se estou ao lado desse imundo, desse porco!
- Caro irmão, aparteou Tertuliano, sentimentos de ódio e vingança só nos fazem estacionar nas faixas vibratórias da dor trazendo compromissos mais estreitos com as nossas vítimas.
- Eu o odeio com todas as minhas forças! E vou dar termo a minha missão. Ele morrerá sozinho, abandonado!
- Não intente isso irmão! Sempre acima de todos há a vontade de Deus! Obtemperou amorosamente Tertuliano.
-De onde eu venho não existe Deus! E é ele quem me chama todas as noites. Ele gosta da minha companhia! Mas conseguirei meu intento contra esse assassino! Bradava enredado ao ódio o irmão vingador.
Então finalizou o Tertuliano:
- Quem sabe querido irmão, todo esse ódio seja resultado do amor desmedido. Do amor possessivo e que sempre espera de algo em troca. Quando o irmão que tu persegues, por ignorância atentou contra você e a muitos outros, tu não estavas preparado a suportar os revezes e transformou seu sentimento em ódio...
... e o diálogo prosseguiu até o irmão desencarnado ser desligado do perispírito do médium e recolhido ao tratamento temporário num Centro de primeiros socorros.
Entretanto, as palavras calaram na mente do Seu Carlos, que agora percebia se comprazer com as trevas e a nelas se homiziava na realização de tarefas conhecidas somente por Deus!
Questionamentos óbvios advieram: que faço eu então aqui? Acreditava que ao fazer o bem evoluiria e estou estacionado ou pior do que era? Será que não é hora de procurar outros caminhos, já que a proposta dos Espíritos em nada está resultando? Afinal, quem sou Eu: o mascarado vigilante ou o monstro desdobrado?   
Continua...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quem é Soraia – parte 3: O Resgate

O mundo sombrio em que Soraia alojava-se era de fato horripilante digno de roteiro de filme de terror, onde as sombras e o ar denso formavam verdadeiramente as trevas descritas pelo escritor Dante Alighieri, em seu livro “A Divina Comédia”. Como parte integrante daquele ambiente, a dor e o sofrimento, para os moralmente escravizados e a lascívia e a luxúria para os que ainda gozam dos prazeres mundanos.

O local, uma ilha rodeada por um lago de lama, tinha ao centro, uma grande tenda coberta de palha. A luminosidade tênue, mal dava para enxergar o que estava a nossa espera. Para chegar àquele lugar sombrio, somente por meio de uma piroga remada por espíritos que, faziam da travessia, o seu trabalho no orbe espiritual buscando a própria “sobrevivência”.

Eulália, em desdobramento, sabia que a missão de resgatar Soraia não seria fácil, mas tinha total convicção de que a companhia salutar de seu irmão e amigo protetor Samuel, que o controle estava mantido, desde que o pensamento equilibrado fosse cultivado durante todo o resgate, era o tal “pensamento reto” que Mãe Velha vivia ensinando.

O barco vagarosamente aportava em um deck. E, apesar do silêncio da chegada, de longe se ouvia ruídos tamborilados por mãos habilidosas na arte da musicalidade dos tambores. Em prece, Samuel, integrado aos amigos espirituais Junot e Mãe Velha, ambos em planos diferentes, entregou-se a luz divinal e rogou humildemente as bênçãos do Mestre Jesus para as que as dificuldades encontradas fossem dissipadas pelo amor que ele têm por todos nós.

Já chegando a tenda, em um percurso curto de terra batida, Eulália e Samuel, perceberam uma jovem senhora, de pele negra, ancas largas e talentosa no molejo, rodopiando no salão iluminado por tochas incandescentes num ritual quase hipnótico. A moça não tinha a mínima percepção da presença dos dois irmãos em missão e continuava na toada da música atrativa, fonte também de energia que mantinha o lugar.   

Do grande salão, várias portas que davam acessos a quartos, todos ocupados por espíritos, encarnados (todos em estado de desdobramento) e desencarnados, ligados ao submundo do sexo sem limites, bebidas e drogas alucinógenas das mais variadas, sugestionadas pelos mantenedores da casa, a fim de assegurar que as energias do local fossem renovadas a todo momento.

Samuel e Eulália, guiados pela intuição, entraram no quarto de número seis. A cena era esdrúxula, vil e nojenta. Em uma espécie de cama no canto do recinto estava Soraia, sem viço, sem vida, em total apatia, sendo molestada por aquele que dizia ter amor incondicional pela moça. Antenor escravizava Soraia e a utilizava como escrava sexual, sugando suas parcas energias, já que, além de suicida, ainda era posta naquelas condições desumanas e humilhantes.

O que Antenor não desconfiava era da misericórdia de Deus, que nunca nos desampara e nos permite as chances necessárias para o recomeço. As súplicas de sua vó Sinoca, elevadas ao Pai Criador, foram atendidas pelo merecimento da senhora, que por muitos anos abnegou-se aos cuidados com o próximo e nunca esqueceu, nem por um dia, a neta querida que tanto amava.

Ao sentir a presença dos irmãos, Antenor, como que um bicho noturno que não suporta a luz, desapareceu praguejando e jurando vingança aos que ousaram retirar sua escrava, que a tanto custo conseguiu ter em seus poderes. Neste momento, auxiliados por seres de luz intensa, que adentraram a choupana, Soraia foi levada pelos braços amorosos daqueles irmãos que se dedicam ao próximo, numa pura demonstração do amor de Deus por nós.

Emocionados, Eulália e Samuel partem do local com a sensação do dever cumprido, com a emoção de fazer parte dos planos dos arquitetos do espaço que trabalham incansavelmente pela melhora do mundo e das pessoas que o habitam, criados pela força divina: Deus. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cuidado com o que pedes!

Intriga-me, invariavelmente, o quanto alguns de nós desejamos delegar aos nossos irmãos desencarnados a responsabilidade do comando das nossas atitudes e das resoluções a serem tomadas.
Sabemos que a Codificação, quanto à presença dos desencarnados em nossas vidas afirma: “amiúde são eles que vos governam”. Mas isso, devido à nossa disposição em sintonizar com àqueles que se encontram na mesma condição de desequilíbrio por nós experimentada na atual caminhada reencarnatória.
Contudo, o Mestre Jesus esclareceu a necessidade de pedirmos para obtermos. Há aqueles que gostariam de pedir, ser auxiliado e deixar nas mãos dos anjos protetores o resto de suas encarnações.
Tenho testemunhado, na Casa Espírita, várias situações onde os irmãos desarvorados, mesmo após receberem auxílio, ainda requerem da espiritualidade mais esclarecida a resolução de diversos problemas, desde a ajuda para um cargo empregatício ou eletivo até mesmo, uma fórmula de creme facial para assedar sua cútis.
Como não há desamparado, ao realizar o Evangelho no Lar e abrir ao “acaso” o Livro Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel, eis que surge a lição Auxílios do Invisível, que fala do auxilio dado a Pedro quando encarcerado.
A leitura nos diz que “Pedro vê aproximar-se o anjo do Senhor, que o liberta, atravessa com ele os primeiros perigos da prisão até ao longo de uma rua, para então, afastar-se e deixá-lo entregue à própria liberdade para não desvalorizar-lhe as iniciativas”.
O que é ótimo é que essas lições sempre servem a nós todos e refletindo fica claro que os irmãos amorosos nos auxiliam nas necessidades de modo a não interferir em nosso livre-arbítrio, pois é imperioso caminharmos com as próprias pernas adquirindo aprendizado, formatando e formando a bagagem do ser integral, que somos.
Assim, conforme sempre nos diz o Irmão Tertuliano: “Pedi e obtereis. O resto é contigo meu irmão!”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O motivo dos por quê?

Tenho muito me questionado, após ouvir alguns diálogos com os irmãos desencarnados, o que leva alguém a se enraizar no mal e desejar ser má? O que nos leva a acreditar que as trevas vencerão a luz e nos faz persistir em ações criadas por nossa falta de bom senso e garantidoras de futuros compromissos dolorosos?
Sentindo a necessidade de maior compreensão pedi ao irmão Tertuliano que me explicasse o que nos leva a esse comportamento, visto ser difícil de entender a causa de insistirmos no mal.
O Irmão Tertuliano lembrou-me de um interessante diálogo que teve com um irmão que se denominava representante das trevas, que em linhas gerais passou-se do seguinte modo:
- Por qual motivo me obrigam a vir aqui? Me desamarrem se tiverem coragem! Bradava o irmão.
- Seja bem vindo querido irmão! Nada é por acaso e certamente sua vinda a nossa Casa tem alguma motivação específica. Disse calmamente o Irmão Tertuliano.
- Vocês não sabem com quem estão mexendo! Vou avisando logo, vocês pagarão caro por essa interferência, pois este local é nosso! Vocês estão mexendo no que não é da sua conta! Afirmou o irmão inconformado.
- Querido irmão, argumentou Tertuliano, quem de nós pode se arvorar dono de alguma coisa se tudo pertence ao Pai Criador? Quanto ao trazê-lo aqui é por que já luz em seu coração a vontade da mudança.
- Blasfêmia, gritou. Estou muito bem do modo que sou e me compraz o mal. Com a dor e o desespero dos fracos me fortaleço. Tenho servos e muitos servos! Sou poderoso e essa região é minha!
- Mas saiba querido irmão, todos inexoravelmente tendemos para luz. É uma questão de tempo. A decisão é sua, mas o Cristo a todos chama à sua seara. Se podemos aceitá-lo através do seu amor porque O buscarmos através da dor? Obtemperou Tertuliano.
- Balela!  Balela! O amor é para os fracos e enquanto houver sentimentos de culpa haverá trevas e dominadores! Exclamou desvencilhou-se do médium e voltando aos seus fictícios domínios.
- Percebe agora o motivo dos seus por quês? Indagou-me Tertuliano.
Respondi que enquanto carregarmos sentimentos de culpa devido a procedimentos que destoem do amor haverá cobradores e trevas.
E remoí de mim para mim mesmo que, quando renovarmos nossas atitudes e sintonizarmos o amor reduziremos os domínios desses irmãos, pois que a treva é falta de luz e quando nos iluminamos contribuímos para reduzir a escuridão tornando menos intensos os pensamentos embaçadores do amor.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quem é Soraia? – Parte 2

O desencarne de Soraia foi doloroso, tanto quanto para os que são apegados a matéria. Apesar dos apelos amorosos de sua avó Sinoca, a vida após morte, tão intensa como na terra, também é carregada de carga energética pesada.  Para Soraia não iria ser diferente, afinal de contas, tudo é plantado nas nossas encarnações e colhido, muitas vezes, do outro lado da vida.

Ao chegar no orbe espiritual, denso, sofrido, ruidoso, Soraia passou pelas piores dores e sofrimentos. Tirar a própria vida é um ato insano com consequências devastadoras.

Passados os anos que mais pareciam a eternidade, Soraia foi levada pelos espíritos que se comprazem no mal, irmãos dominadores de esquemas das bebidas alucinógenas, sexo fácil e esdrúxulo e o poder ilusório. A troca de favores no mundo espiritual inferior é moeda forte para os grupos que buscam na vingança a “felicidade” pelas traições sofridas outrora.

Na erraticidade, Soraia toma conhecimento que o homem que a perseguia em seus sonhos quando encarnada, era real e, mais real, eram seu ódio e fúria nutridos por aquela bela moça. Quem era aquele homem ao qual foi entregue por aqueles que a acorrentavam? Porque ele a queria como escrava?

A resposta estava nas muitas idas e vindas da escola terrena. Em uma dessas vidas, Soraia, então Amália do Canto Vaz conheceu Antenor, homem feio para os padrões sociais de beleza, franzino, cabelos ralos e nariz romano é desses que perdem o precioso tempo na roda da vida, cheia de realizações positivas, mas ofuscada pelo orgulho, vaidade e principalmente pelo egoísmo, sentimentos que certamente não deveriam ser a tônica da vida, ou quando menos, atrofiados e extinguidos da nossa existência, mas isso é outra história...

Por muitas encarnações, Soraia foi o grande amor de Antenor, no entanto, muitas delas não correspondido. Mas as tramas do destino, tão necessárias para o aprendizado e crescimento, trouxe para Antenor a amarga vivência com Amália (era o amor do Pai favorecendo o aprendizado de ambos). Desposou-a, mesmo sabendo não ser amado. Comprou sua felicidade dando-lhe mimos e luxos almejados pelas moças da região, já que o trabalho duro de anos trouxe-lhe riqueza e poder.

Anos pagando os caprichos daquela bela mulher, humilhado pela falta de amor e traído pelos arroubos da juventude de sua esposa, Antenor não resiste ao ódio e ao ciúme exacerbado e reafirma a vida construída na ilusão através do assédio moral e material sobre sua mulher. Trancada em um quarto sem qualquer comunicação com o mundo lá fora, insalubre e lúgubre, Amália saiu da vida de riqueza e futilidades para o inferno em vida.

A vitalidade da juventude deu lugar ao rosto cansado e sofrido sugado por aquele que a amava e jurava amor eterno. Anos trancafiada, mal alimentada e objeto de sexo indesejado trouxe a ela a doença da alma, a melancolia, o desamor. Enfraquecida e sem vontade de viver, Amália feneceu nos braços de Antenor que naquele momento não sabia qual era o verdadeiro sentimento: o da vingança ou da perda do seu amor.

Após a morte de Amália, Antenor tornou-se cada vez mais amargo e sem sentimentos. Trazia em sua mente o ódio por aquela mulher para quem dedicou tanto amor e carinho e dela só recebeu desprezo. E pelas portas da bebida e acompanhado pelos irmãos infelizes que se acoplam no mal, Antenor passou também pelas portas da morte, percebendo que a vida continua e que sua vingança podia ser “eterna”. Assim, o reencontro no mundo espiritual de Amália (Soraia) e Antenor margeou o constrangimento e a dor da humilhação... (continua).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Nem azul, nem cristal! Espírita!


Outro dia, me contava Tertuliano, que em diálogo com uma amiga querida que mudou-se para as plagas paulistas, ela falou-lhe do episódio ocorrido em uma palestra sobre os “meninos índigo” no Centro Espírita que frequenta.
Segundo ela, em determinado momento, quando a palestrante discorria sobre os meninos azuis um ouvinte, mais exaltado, informou que aquilo não se tratava de espiritismo e que a palestrante deveria se informar melhor antes de defender aquela tese.
Ela contou a Tertuliano que houve espanto geral e que alguns integrantes da Casa insinuaram que o irmão contestador estava obsediado e deveria ser encaminhado ao tratamento da obsessão.
Curioso, Tertuliano tratou de pesquisar sobre o assunto e recebeu da amiga os textos que o exaltado ouvinte havia pesquisado. Lendo os textos, Tertuliano falou-me de algumas características dos garotos azuis.
Você sabia que:
- os meninos azuis agem com realeza, invertem as situações, manipulando as pessoas, especialmente seus pais;
-  não se relacionam bem com os outros, exceto se as pessoas forem iguais a eles;
-  tem propensão ao vício, como drogas durante a adolescência, e
-  estão nascendo com o DNA alterado.

Todas essas informações são passadas aos idealizadores da tese das “crianças índigo” através da psicografia por um espírito que se autodenomina Kryon, explicou-me Tertuliano e me questionou: “O que isso tem a ver com espiritismo”.

- “A não ser um possível fenômeno anímico ou mediúnico, nada!”, disse-me ele.

Lembrou que Kardec sempre foi incisivo quanto aos postulados que ferissem o bom-senso e a razão. E concluiu:

- Se o planeta está passando de provas e expiações para um mundo de regeneração como se explica que espíritos com características de orgulho, prepotência e egoísmo seriam os enviados para nos ajudar nessa transição? Como qualquer mudança no DNA irá alterar a evolução moral, que é do espírito, desses meninos azuis?

Para finalizar, ligou para sua amiga e disse: “Peça ao nosso irmão exaltado se desculpar pelo modo como interrompeu a palestra apenas, mas nunca por colocar a razão como obrigatoriedade na compreensão da verdade relativa!”.