É desconcertante e desestimulante quando você acredita estar evoluindo passo a passo e toma consciência de que tudo não passa de pura aparência. De que na realidade és uma grande mascara apresentada às pessoas na sua vigília, pois durante o desdobramento busca refúgio nos mais recônditos antros das trevas.
Foi assim que sentiu-se o irmão trabalhador do grupo mediúnico, Seu Carlos, quando um irmão desencarnado e tão desarvorado quanto ele utilizou-se da mediunidade psicofônica para esclarecer algumas verdades.
Esclarecido pelo Irmão Tertuliano, tivemos o seguinte diálogo:
- Acalme-se irmão! Exclamou Tertuliano.
Ao que argüiu o desencarnado:
- Como posso me acalmar se estou ao lado desse imundo, desse porco!
- Caro irmão, aparteou Tertuliano, sentimentos de ódio e vingança só nos fazem estacionar nas faixas vibratórias da dor trazendo compromissos mais estreitos com as nossas vítimas.
- Eu o odeio com todas as minhas forças! E vou dar termo a minha missão. Ele morrerá sozinho, abandonado!
- Não intente isso irmão! Sempre acima de todos há a vontade de Deus! Obtemperou amorosamente Tertuliano.
-De onde eu venho não existe Deus! E é ele quem me chama todas as noites. Ele gosta da minha companhia! Mas conseguirei meu intento contra esse assassino! Bradava enredado ao ódio o irmão vingador.
Então finalizou o Tertuliano:
- Quem sabe querido irmão, todo esse ódio seja resultado do amor desmedido. Do amor possessivo e que sempre espera de algo em troca. Quando o irmão que tu persegues, por ignorância atentou contra você e a muitos outros, tu não estavas preparado a suportar os revezes e transformou seu sentimento em ódio...
... e o diálogo prosseguiu até o irmão desencarnado ser desligado do perispírito do médium e recolhido ao tratamento temporário num Centro de primeiros socorros.
Entretanto, as palavras calaram na mente do Seu Carlos, que agora percebia se comprazer com as trevas e a nelas se homiziava na realização de tarefas conhecidas somente por Deus!
Questionamentos óbvios advieram: que faço eu então aqui? Acreditava que ao fazer o bem evoluiria e estou estacionado ou pior do que era? Será que não é hora de procurar outros caminhos, já que a proposta dos Espíritos em nada está resultando? Afinal, quem sou Eu: o mascarado vigilante ou o monstro desdobrado?
Continua...