É bem claro em minha mente que o policiamento exacerbado sobre as pessoas que por ignorância, inocência e mesmo por razões escusas não observam os pontos pétreos delineados pela Doutrina Espírita não é amor.
Contudo, algumas pessoas deveriam buscar nas reflexões sobre o estudo da Doutrina pontos que não deixam qualquer dúvida quanto à necessidade do homem livrar-se das superstições, a fim de adquirir o conhecimento à luz da razão e ter como consequência a evolução.
Em o Livro dos Espíritos na complementação da resposta à questão 555, Kardec lembra:
- "O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma infinidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu muitas fábulas, em que os fatos são exagerados pela imaginação. O conhecimento esclarecido... mostrando a realidade das coisas e sua verdadeira causa é o melhor preservativo contra as idéias supersticiosas, porque revela o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de crença ridícula."
Assim, "Espírita" que ainda acredita em simpatias, amuletos, galhos de arruda atrás da orelha, vestir de branco, usar cuecas coloridas para iniciar um ano novo com sorte no amor e no dinheiro ainda resvala pela ignorância e demonstra não haver aprendido e apreendido quase nada do que está nos livros e nas reuniões práticas.
Sem julgamentos, sem cobranças, mas assistir um Espírita, que sentou-se à mesa mediúnica por vários anos, na televisão ensinando sortilégios para passagem do ano ajuda sobretudo a mistificar mais ainda o que as pessoas acreditam erroneamente ser o Espiritismo.
Filosofia e ciência. Foi nos dada essa Doutrina pelo amor do Pai para nossa evolução nesse orbe, assim, àqueles que buscam ser Espíritas no mínimo, devem ao Espírito da Verdade uma reflexão sobre o que está descrito no Pentateuco kardequiano.
Independentemente do cruz-credo e demais simpatias sejamos bons! Feliz Ano Novo a todos com muito amor e paz.
Irmão Tertuliano.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Estude e fique esperto!
É muito interessante o quanto na prática realizam-se os ensinamentos teóricos existentes nas diversas obras da codificação kardequiana e naquelas complementares... falava com carinho o Irmão Tertuliano.
Esse diálogo deve-se ao fato de comentarmos a reunião que havia terminado e analisávamos uma das passividades dada por um dos irmãos desencarnados. Iniciou-se seu intercâmbio revelando, entre sorrisos de cinismo ao Irmão Tertuliano, que ele era o "farsante" que havia comparecido na última reunião.
- Que bom que resolveu retornar querido Irmão, disse-lhe Tertuliano, ao que ele replicou:
- Não sei porque retornei. Essa claridade me faz mal, pois eu gosto mesmo é das trevas.
E continuou:
-E ainda tenho que me comunicar com vocês que são piores que ratos. É isso que vocês são: ratos!
- Calma meu irmão! retrucou Tertuliano. Qual a motivação de tanto ódio contra nós?
- Por causa de vocês eu sou obrigado a vir aqui! Esse ambiente me perturba e dificulta a realização de minhas ações. Vociferou.
- Acalme-se, insistia Tertuliano. Afinal você mais do que ninguém, por deter algum conhecimento sabe que não queremos o seu mal e que ficando aqui estarás bem!
- Quem disse que eu quero ficar bem? Eu gosto mesmo é das furnas, da escuridão e me compraz o mal! Afirmou.
Verificando o adiantado da hora, Tertuliano encaminhou o diálogo para a partida do irmão:
- De qualquer forma, querido irmão, vamos fazer uma prece rogando ao Cristo que nos ilumine.
Enquanto fazia a prece rogativa a Jesus que aliviasse aquele coração petrificado, o irmão passou a mover o pescoço da médium que passou a massagear a parte posterior do mesmo. Intrigado com aquilo, Tertuliano questionou:
- Estás sentido dores no pescoço irmão.
Ao que ele respondeu:
- Sim. Por favor retire essa coleira que prende e machuca. Rogou.
Irmão Tertuliano titubeou. Deveria livrar o irmão daquele jugo? Lembrou-se da finalidade do trabalho ali realizado: a caridade. Nesse ínterim os minutos se esvaiam. Quase um quarto de hora já havia se passado além da hora de encerramento da reunião.
Num átimo, Tertuliano inspirado rogou:
- Querido Irmão, peçamos ao Cristo que te livre desse tormento.
- Não, não vou pedir para esse aí! Não me rebaixarei a ele. Gritava.
Tertuliano, entendo então, que poderia tratar-se de um truque do irmão, orientado e auxiliado pela espiritualidade inferior com a finalidade de perturbar a reunião, conduziu-o ao sono, sendo ele desligado do aparelho mediúnico.
Finalizando, Tertuliano me disse:
- O estudo da Doutrina Espírita é assaz revelador. Esse tipo de ação por parte de determinados irmãos está discriminado na literatura kardecista e esse conhecimento foi fator importante no norteamento das ações que devíamos tomar. Estudo meu amigo! Espiritismo é estudo.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Sonhar um sonho
Tempos atrás tivemos a oportunidade de conviver com um irmão espírita de inteligência, perspicácia e conhecimento da doutrina acima da média.
Em suas ilações sobre os sonhos após os saudosos cursos de mediunidade ele se propunha a adivinhar os sonhos. Era um frenesi total! Nossas confreiras dominadas pela curiosidade se entregavam a contar-lhe as peripécias sonurnas na esperança de desvendar os meandros do subconsciente.
Jocosamente, nosso leitor de sonhos propunha circunstâncias extravagantes nas explicações oferecidas que, mesmo inverossímeis, eram aceitas por verdades absolutas em virtude da credibilidade que sua palavra e pessoa ofereciam.
Na realidade, nosso amigo Espírito Brilhante através desses momentos de descontração buscava mostrar aos estudiosos da mediunidade a necessidade da leitura para o conhecimento e libertação das superstições e o quanto é preciso nos preparamos na hora de dormir, através da oração para que possamos ter um sono tranqüilo (corpo físico) e um sonho (corpo espiritual) repleto de ensinamentos e trabalho.
Ainda envoltos pelo místico, a grande maioria de nós é levada a crer que os sonhos são sinais mágicos. Não descartamos que, por vezes há ensinamentos de coisas passadas e futuras que servem tanto para a nossa quanto para a evolução da sociedade. Entretanto, acreditarmos que sonhar com cobra significa traição, é generalizarmos lições, provavelmente nossas, com as quais fomos agraciados durante nosso desdobramento e ingresso no mundo espiritual.
Orar antes do desdobramento na hora de dormir e manter o pensamento reto ajuda a sintonizar Espíritos com a mesma faixa vibratória, ficando assim, para cada um de nós a escolha do que desejamos encontrar durante o sono do corpo físico.
Infelizmente, nosso amigo Espírito Brilhante seguindo seu livre-arbítrio logrou conhecer novas paragens e em plagas sulistas desempenha sua profissão. Deixou-nos, contudo, diversas lições, entre “viagens maionesiais” e o conhecimento da Doutrina Consoladora, ensinamentos diversos. Por palestras, cursos e o bate papo usual ensinou-nos que Espiritismo é muito mais estudo do que fenômeno e que uma boa frase, na hora certa, também é amor ao próximo.
Sonhar um sonho sonhado era seu lema. Do Caminho de Santiago até Canoa Quebrada certamente construiu novas amizades e de modo inesquecível ainda conservamos a sua lembranças em nossas mentes. São assim as formiguinhas usadas pelo Cristo na divulgação da Boa Nova.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Os Saltimbancos
Quem pensa que no plano astral não tem arte está redondamente enganado. Tem e para todos os gostos: para o mal com cenas horrendas e de péssimo gosto que retratam a maldade dos espíritos inferiores, como tem também os que, pelo apoio divino, divertem os irmãos com esquetes engraçados, mas com um objetivo nobre.
Certa feita, recebemos um grupo de saltimbancos em nosso grupo mediúnico. Roupas esquisitas, maquiagens extravagantes, mas a aura... bom, a aura era um caso a parte. Tons de laranja davam o ar de que pessoas do bem circulavam a área.
Recebidos pela preta velha conhecida por “mãe véia”, espírito detentor de amor e bondade e que nos acompanha há um bom tempo, os atores da providência divina estavam de passagem pelo nosso centro em busca de recarregar as energias para a próxima missão em paragens difíceis.
O grupo estava a postos para os trabalhos em nome do Cordeiro. As tarefas consistiam em adentrar regiões do Umbral para de lá retirar informações de quem poderia ser resgatado dos vales do sofrimento. Vê-se bem que a misericórdia divina se instala de todas as maneiras. A arte de contracenar estava à disposição das estratégias das equipes de resgate de almas endividadas.
Os esquetes acontecem despretensiosamente e com muito cuidado para que os membros do grupo não sejam descobertos. Ao final das apresentações as informações são repassadas para a equipe de socorro liderada pelos filhos de Maria de Nazaré, também conhecidos como Legionários de Maria.
De tempos em tempos, a trupe tem mudanças nas feições para que não sejam pegos pelos espíritos das sombras e as peças são compostas conforme as formações energéticas das colônias.
O irmão Tertuliano, interlocutor da conversa, juntamente com os franciscanos, aplicam passes nos componentes do grupo e em prece rogam a Deus nosso pai a proteção necessária para que a missão seja bem sucedida e que a misericórdia chegue aos necessitados de amor para o bem da evolução espiritual.
Luz de cor dourada acendeu-se no ressinto dando a dimensão do amor doado pelos franciscanos em favor dos trabalhadores do Cristo. Em caravana seguiram no plano astral para o resgate dos filhos de Deus.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Mais que médium acredita ser inteiro"
Em diálogo fraterno com o Irmão Tertuliano elucidava-me sobre algumas particularidades da mediunidade e principalmente, dos médiuns. Falava-me que muitos irmãos que receberam a dádiva da mediunidade, por provavelmente estarem em encarnações de resgate devido aos enredos de vidas passadas, acreditam contrariamente serem “os escolhidos”.
Assim, argumentou:
- “Querido irmão, o maior inimigo do médium mora nele mesmo. Além da necessidade do auto-conhecimento para vencer suas más tendências, insiste em não buscar o conhecimento no Evangelho de Jesus e no estudo kardecista sobre o fenômeno mediúnico”.
- “Sempre acreditei que dependia somente da espiritualidade”, ponderei.
Com sua paciência particular, ele aludiu:
- “É o que a grande maioria dos irmãos que labutam na seara Espírita acreditam. Para eles, a Espiritualidade sempre dará um jeito. Mal sabem que além do comportamento e da vontade pessoal de reforma-se, as instituições ou casas espíritas ainda congregam muitos irmãos que por caprichos e paixões sintonizam com outros desejosos na inviabilização dos trabalhos nelas realizados”.
E prosseguiu:
- “O pior é que muitos acreditam que descascar e cozinhar alguns legumes os credenciam a humilhar os menos favorecidos com discursos irônicos dando a impressão que já galgaram os páramos da espiritualidade”.
Assim, disse-me, parafraseando nosso irmão Astolfo de Oliveira:
-“A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo... O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação... Antes de cogitar da doutrinação dos outros, encarnados ou desencarnados, o médium sincero necessita compreender que é preciso a iluminação de si próprio pelo conhecimento”.
Finalizando, lembrou-me:
- “a maior caridade que podemos nos fazer é nos aceitarmos falíveis. Trabalharmos para nossa reforma e esperarmos dos irmãos de Luz a ajuda que necessitamos nessa mudança. Evidente é que é obrigatório fazermos nossa parte e não colocarmos nas mãos dos nossos irmãos mentores toda a responsabilidade pela nossa irresponsabilidade”.
Pensei de mim para comigo:
- “Aprendi mais uma!”
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
É só uma questão moral?
Dias desses questionava o Irmão Tertuliano sobre a característica de determinados grupos em dar passividade somente a irmãos sofredores e se isso significava serem ser integrantes de moral questionável.
Atenciosamente, respondeu-me o Tertuliano:
-Equivocam-se aqueles que imaginam ser as reuniões de intercâmbio mediúnico unicamente direcionadas ao atendimento de irmãos obsediados e ligados unicamente a mal e equivocam-se mais ainda aqueles que acreditam que grupos que ajudam irmãos sofredores são grupo sem elevada condição moral.
- Mas não é o que parece, repliquei!
E ele aparteou:
- Por vezes temos a oportunidade de sermos visitados por irmãos iluminados e que nos deixam mensagens de excelente teor, a fim de que possamos refletir sobre nos mesmos e os caminhos a escolher na seara do Mestre.
E abrindo um livro de capa preta e com as folhas numeradas pediu-me que lesse a seguinte mensagem:
“Não há idade, não há distancia, não há medidas no plano superior.
A física e as leis científicas não encontram mais respaldo onde a matéria é quintessênciada.
Por ser completamente adaptável às necessidades, em todos os planos, a lei de amor é a lei que impera.
O amor também comanda as determinações do raciocínio lógico, pois mesmo o sistema sofético precisa de amor para ser corretamente aproveitado.
Convivi muitos anos na ignorância da lógica e da incredulidade e quero muito alertar a todos sobre esses perigosos caminhos da credulidade puramente experimental.
Desculpem-me a emoção incontrolável.
É que a felicidade de estar aqui, hoje, me comunicando supera e muito, minha frieza catedrática.
Se preparem sempre, pois o homem enfrenta fortes barreiras que se opõem à Boa Nova.
Confiemos em Cristo e avancemos juntos rumo à regeneração de nosso orbe.
Um amigo espiritual.”
Após ler compreendi que a Espiritualidade de Amor sempre nos agracia com revelações e mensagens portadoras de esclarecimentos contendo demonstrando os caminhos para enfrentarmos a nós mesmos inicialmente e às agruras da vida, que sempre nos rodeiam.
Lembremos que somos um orbe de provas e expiações e que o Cristo nos trouxe em seus exemplos, a chave do caminho a ser seguido no alívio de nossas dores e na fomentação do verdadeiro amor!
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Eu te amo, mas te odeio!
É muito comum nosso Irmão Tertuliano dialogar com irmãos desencarnados ainda enredados nas teias do ódio. O mais interessante é percebermos que ao desenrolar das histórias, invariavelmente esse ódio derivou de um sentimento que eles acreditam ser amor.
Dramas de traições, desamparos, ingratidões resultam em perseguições “eternas”, onde o perdão e a compreensão do conceito de causa e efeito são entendimentos perdidos no tempo e no espaço.
Para ilustrar, o Irmão Tertuliano descreve mais um diálogo com um irmão imbuído do desejo de vingança:
- Seja bem vindo querido Irmão! Que Jesus nos ilumine! Recebe-o caridosamente Tertuliano.
- Não vim aqui para se doutrinado! Vim para dizer que ela é minha! O útero dela é meu! Não adianta ela rezar que ela não vai gerar ninguém! Eu a odeio e vou acabar com ela! Vaticinava o irmão.
Obtemperou Tertuliano:
- Acalme-se irmão! Tanto ódio e rancor só farão com que você se perca nas trilhas das dores!
- Eu amo a dor! E vou fazer todos sofrerem! Eles me traíram e agora vão pagar! Ela é minha e não desse marido. Eu vou matar a todos! Bradava o irmão.
- O irmão tem noção dos compromissos que angaria e que são de sua inteira responsabilidade. Nada acontece nesse mundo que não seja da vontade de nosso Pai. Assim, se não for desígnio dele sua vingança não terá termo e tanto esforço será inútil. Repense sua situação e observe em sua tela mental a sua próxima encarnação! Esclareceu com amor Tertuliano.
O irmão retrucou:
- Não me importo de vir aleijado ou demente. Ela é minha e sempre será minha. Estou sugando todas as energias do pai dela que em breve morrerá! Depois será ela que vira para o mundo espiritual e será minha!
- Que tipo de sentimento é esse que você nutre por ela, pois quem ama verdadeiramente não quer o mal, não aprisiona, não se arvora a ser dono de ninguém!
Percebendo que as energias do médium se exauriam e o adiantado da hora, Tertuliano encaminha o diálogo para o desligamento fluídico do irmão que, ao perceber, afirma:
- Não adianta, pois eu só vou embora quando quiser! E agora eu não quero!
Em prece, Tertuliano solicita ajuda dos mentores do trabalho e pede que seja colocado um capacete no irmão desencarnado inibindo a ligação fluídica entre seu períspirito e o perispírito do médium.
Como que por encanto, o desligamento se processa e fica a expectativa do retorno do irmão para novo diálogo, a fim de que entenda que o verdadeiro amor é aquele exemplificado por Jesus.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Quem somos. Parte final
Assim, com questionamentos diversos em sua mente, passou o Senhor Carlos a rogar esclarecimentos maiores junto à espiritualidade. Num de seus desdobramentos teve a oportunidade de ser orientado a dedicar-se mais à leitura edificante.
Ao adquirir o livro Aldeia da Escuridão pelo Espírito Vinícius e ler a introdução passou a refletir sobre as seguintes palavras:
-“Somente alcançaremos a consciência plena se exercitarmos o conhecimento de nós mesmos”.
Disso ele depreendeu que teria que enfrentar sua consciência e saber realmente quem é. E prosseguiu a leitura:
- “Se reflexionarmos sobre o assunto, também concluímos que os vícios materiais são apenas pálidos reflexos dos vícios morais, e que nossa transformação deverá se iniciar dentro de nós mesmos.”
- Mas como se dá esse processo? Por onde devo começar? Questionou de si para consigo, o amigo Carlos.
Então, parágrafos a frente percebeu:
-“ Nosso dever, como trabalhadores do Senhor, é auxiliar os mais necessitados, através da compreensão, da tolerância e da paciência, sempre acompanhados do esclarecimento evangélico que somente fortalece e redireciona mentes antes cristalizadas em atitudes viciosas.”
Obtemperou:
- Creio que somente vir à Casa Espírita e dialogar com irmãos encarnados e desencarnados sem realmente assumir o compromisso do amor para com eles e comigo mesmo, permite-me unicamente caminhar a passos curtos e ser enredado por aqueles a quem devo e que sempre estão a espreita conhecedores das minhas falhas e cobradores de vidas pregressas.
Finalizando a leitura contemplou:
-“Sejamos filhos inteligentes de um Pai Amoroso que apenas nos quer felizes! O caminho da perfeição moral é árduo e nos exige aplicação e amorosa atenção. O futuro nos mostrará a qualidade de nossas escolhas, pois como Espíritos em busca da felicidade, saberemos quando em evolução estivermos.”
Feliz por haver encontrado as palavras diretivas para se realinhar no caminho, Carlos percebendo que todos somos Yin e Yang, luz e escuridão, amor e ódio, paz e guerra e que devemos buscar o equilíbrio dessas forças e não embotarmos uma em desfavor de outra ou outras lembrou-se da orientação de Jesus e passou a vigiar-se e a orar.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Afinal quem somos?
É desconcertante e desestimulante quando você acredita estar evoluindo passo a passo e toma consciência de que tudo não passa de pura aparência. De que na realidade és uma grande mascara apresentada às pessoas na sua vigília, pois durante o desdobramento busca refúgio nos mais recônditos antros das trevas.
Foi assim que sentiu-se o irmão trabalhador do grupo mediúnico, Seu Carlos, quando um irmão desencarnado e tão desarvorado quanto ele utilizou-se da mediunidade psicofônica para esclarecer algumas verdades.
Esclarecido pelo Irmão Tertuliano, tivemos o seguinte diálogo:
- Acalme-se irmão! Exclamou Tertuliano.
Ao que argüiu o desencarnado:
- Como posso me acalmar se estou ao lado desse imundo, desse porco!
- Caro irmão, aparteou Tertuliano, sentimentos de ódio e vingança só nos fazem estacionar nas faixas vibratórias da dor trazendo compromissos mais estreitos com as nossas vítimas.
- Eu o odeio com todas as minhas forças! E vou dar termo a minha missão. Ele morrerá sozinho, abandonado!
- Não intente isso irmão! Sempre acima de todos há a vontade de Deus! Obtemperou amorosamente Tertuliano.
-De onde eu venho não existe Deus! E é ele quem me chama todas as noites. Ele gosta da minha companhia! Mas conseguirei meu intento contra esse assassino! Bradava enredado ao ódio o irmão vingador.
Então finalizou o Tertuliano:
- Quem sabe querido irmão, todo esse ódio seja resultado do amor desmedido. Do amor possessivo e que sempre espera de algo em troca. Quando o irmão que tu persegues, por ignorância atentou contra você e a muitos outros, tu não estavas preparado a suportar os revezes e transformou seu sentimento em ódio...
... e o diálogo prosseguiu até o irmão desencarnado ser desligado do perispírito do médium e recolhido ao tratamento temporário num Centro de primeiros socorros.
Entretanto, as palavras calaram na mente do Seu Carlos, que agora percebia se comprazer com as trevas e a nelas se homiziava na realização de tarefas conhecidas somente por Deus!
Questionamentos óbvios advieram: que faço eu então aqui? Acreditava que ao fazer o bem evoluiria e estou estacionado ou pior do que era? Será que não é hora de procurar outros caminhos, já que a proposta dos Espíritos em nada está resultando? Afinal, quem sou Eu: o mascarado vigilante ou o monstro desdobrado?
Continua...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Quem é Soraia – parte 3: O Resgate
O mundo sombrio em que Soraia alojava-se era de fato horripilante digno de roteiro de filme de terror, onde as sombras e o ar denso formavam verdadeiramente as trevas descritas pelo escritor Dante Alighieri, em seu livro “A Divina Comédia”. Como parte integrante daquele ambiente, a dor e o sofrimento, para os moralmente escravizados e a lascívia e a luxúria para os que ainda gozam dos prazeres mundanos.
O local, uma ilha rodeada por um lago de lama, tinha ao centro, uma grande tenda coberta de palha. A luminosidade tênue, mal dava para enxergar o que estava a nossa espera. Para chegar àquele lugar sombrio, somente por meio de uma piroga remada por espíritos que, faziam da travessia, o seu trabalho no orbe espiritual buscando a própria “sobrevivência”.
Eulália, em desdobramento, sabia que a missão de resgatar Soraia não seria fácil, mas tinha total convicção de que a companhia salutar de seu irmão e amigo protetor Samuel, que o controle estava mantido, desde que o pensamento equilibrado fosse cultivado durante todo o resgate, era o tal “pensamento reto” que Mãe Velha vivia ensinando.
O barco vagarosamente aportava em um deck. E, apesar do silêncio da chegada, de longe se ouvia ruídos tamborilados por mãos habilidosas na arte da musicalidade dos tambores. Em prece, Samuel, integrado aos amigos espirituais Junot e Mãe Velha, ambos em planos diferentes, entregou-se a luz divinal e rogou humildemente as bênçãos do Mestre Jesus para as que as dificuldades encontradas fossem dissipadas pelo amor que ele têm por todos nós.
Já chegando a tenda, em um percurso curto de terra batida, Eulália e Samuel, perceberam uma jovem senhora, de pele negra, ancas largas e talentosa no molejo, rodopiando no salão iluminado por tochas incandescentes num ritual quase hipnótico. A moça não tinha a mínima percepção da presença dos dois irmãos em missão e continuava na toada da música atrativa, fonte também de energia que mantinha o lugar.
Do grande salão, várias portas que davam acessos a quartos, todos ocupados por espíritos, encarnados (todos em estado de desdobramento) e desencarnados, ligados ao submundo do sexo sem limites, bebidas e drogas alucinógenas das mais variadas, sugestionadas pelos mantenedores da casa, a fim de assegurar que as energias do local fossem renovadas a todo momento.
Samuel e Eulália, guiados pela intuição, entraram no quarto de número seis. A cena era esdrúxula, vil e nojenta. Em uma espécie de cama no canto do recinto estava Soraia, sem viço, sem vida, em total apatia, sendo molestada por aquele que dizia ter amor incondicional pela moça. Antenor escravizava Soraia e a utilizava como escrava sexual, sugando suas parcas energias, já que, além de suicida, ainda era posta naquelas condições desumanas e humilhantes.
O que Antenor não desconfiava era da misericórdia de Deus, que nunca nos desampara e nos permite as chances necessárias para o recomeço. As súplicas de sua vó Sinoca, elevadas ao Pai Criador, foram atendidas pelo merecimento da senhora, que por muitos anos abnegou-se aos cuidados com o próximo e nunca esqueceu, nem por um dia, a neta querida que tanto amava.
Ao sentir a presença dos irmãos, Antenor, como que um bicho noturno que não suporta a luz, desapareceu praguejando e jurando vingança aos que ousaram retirar sua escrava, que a tanto custo conseguiu ter em seus poderes. Neste momento, auxiliados por seres de luz intensa, que adentraram a choupana, Soraia foi levada pelos braços amorosos daqueles irmãos que se dedicam ao próximo, numa pura demonstração do amor de Deus por nós.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Cuidado com o que pedes!
Intriga-me, invariavelmente, o quanto alguns de nós desejamos delegar aos nossos irmãos desencarnados a responsabilidade do comando das nossas atitudes e das resoluções a serem tomadas.
Sabemos que a Codificação, quanto à presença dos desencarnados em nossas vidas afirma: “amiúde são eles que vos governam”. Mas isso, devido à nossa disposição em sintonizar com àqueles que se encontram na mesma condição de desequilíbrio por nós experimentada na atual caminhada reencarnatória.
Contudo, o Mestre Jesus esclareceu a necessidade de pedirmos para obtermos. Há aqueles que gostariam de pedir, ser auxiliado e deixar nas mãos dos anjos protetores o resto de suas encarnações.
Tenho testemunhado, na Casa Espírita, várias situações onde os irmãos desarvorados, mesmo após receberem auxílio, ainda requerem da espiritualidade mais esclarecida a resolução de diversos problemas, desde a ajuda para um cargo empregatício ou eletivo até mesmo, uma fórmula de creme facial para assedar sua cútis.
Como não há desamparado, ao realizar o Evangelho no Lar e abrir ao “acaso” o Livro Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel, eis que surge a lição Auxílios do Invisível, que fala do auxilio dado a Pedro quando encarcerado.
A leitura nos diz que “Pedro vê aproximar-se o anjo do Senhor, que o liberta, atravessa com ele os primeiros perigos da prisão até ao longo de uma rua, para então, afastar-se e deixá-lo entregue à própria liberdade para não desvalorizar-lhe as iniciativas”.
O que é ótimo é que essas lições sempre servem a nós todos e refletindo fica claro que os irmãos amorosos nos auxiliam nas necessidades de modo a não interferir em nosso livre-arbítrio, pois é imperioso caminharmos com as próprias pernas adquirindo aprendizado, formatando e formando a bagagem do ser integral, que somos.
Assim, conforme sempre nos diz o Irmão Tertuliano: “Pedi e obtereis. O resto é contigo meu irmão!”
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O motivo dos por quê?
Tenho muito me questionado, após ouvir alguns diálogos com os irmãos desencarnados, o que leva alguém a se enraizar no mal e desejar ser má? O que nos leva a acreditar que as trevas vencerão a luz e nos faz persistir em ações criadas por nossa falta de bom senso e garantidoras de futuros compromissos dolorosos?
Sentindo a necessidade de maior compreensão pedi ao irmão Tertuliano que me explicasse o que nos leva a esse comportamento, visto ser difícil de entender a causa de insistirmos no mal.
O Irmão Tertuliano lembrou-me de um interessante diálogo que teve com um irmão que se denominava representante das trevas, que em linhas gerais passou-se do seguinte modo:
- Por qual motivo me obrigam a vir aqui? Me desamarrem se tiverem coragem! Bradava o irmão.
- Seja bem vindo querido irmão! Nada é por acaso e certamente sua vinda a nossa Casa tem alguma motivação específica. Disse calmamente o Irmão Tertuliano.
- Vocês não sabem com quem estão mexendo! Vou avisando logo, vocês pagarão caro por essa interferência, pois este local é nosso! Vocês estão mexendo no que não é da sua conta! Afirmou o irmão inconformado.
- Querido irmão, argumentou Tertuliano, quem de nós pode se arvorar dono de alguma coisa se tudo pertence ao Pai Criador? Quanto ao trazê-lo aqui é por que já luz em seu coração a vontade da mudança.
- Blasfêmia, gritou. Estou muito bem do modo que sou e me compraz o mal. Com a dor e o desespero dos fracos me fortaleço. Tenho servos e muitos servos! Sou poderoso e essa região é minha!
- Mas saiba querido irmão, todos inexoravelmente tendemos para luz. É uma questão de tempo. A decisão é sua, mas o Cristo a todos chama à sua seara. Se podemos aceitá-lo através do seu amor porque O buscarmos através da dor? Obtemperou Tertuliano.
- Balela! Balela! O amor é para os fracos e enquanto houver sentimentos de culpa haverá trevas e dominadores! Exclamou desvencilhou-se do médium e voltando aos seus fictícios domínios.
- Percebe agora o motivo dos seus por quês? Indagou-me Tertuliano.
Respondi que enquanto carregarmos sentimentos de culpa devido a procedimentos que destoem do amor haverá cobradores e trevas.
E remoí de mim para mim mesmo que, quando renovarmos nossas atitudes e sintonizarmos o amor reduziremos os domínios desses irmãos, pois que a treva é falta de luz e quando nos iluminamos contribuímos para reduzir a escuridão tornando menos intensos os pensamentos embaçadores do amor.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Quem é Soraia? – Parte 2
O desencarne de Soraia foi doloroso, tanto quanto para os que são apegados a matéria. Apesar dos apelos amorosos de sua avó Sinoca, a vida após morte, tão intensa como na terra, também é carregada de carga energética pesada. Para Soraia não iria ser diferente, afinal de contas, tudo é plantado nas nossas encarnações e colhido, muitas vezes, do outro lado da vida.
Ao chegar no orbe espiritual, denso, sofrido, ruidoso, Soraia passou pelas piores dores e sofrimentos. Tirar a própria vida é um ato insano com consequências devastadoras.
Passados os anos que mais pareciam a eternidade, Soraia foi levada pelos espíritos que se comprazem no mal, irmãos dominadores de esquemas das bebidas alucinógenas, sexo fácil e esdrúxulo e o poder ilusório. A troca de favores no mundo espiritual inferior é moeda forte para os grupos que buscam na vingança a “felicidade” pelas traições sofridas outrora.
Na erraticidade, Soraia toma conhecimento que o homem que a perseguia em seus sonhos quando encarnada, era real e, mais real, eram seu ódio e fúria nutridos por aquela bela moça. Quem era aquele homem ao qual foi entregue por aqueles que a acorrentavam? Porque ele a queria como escrava?
A resposta estava nas muitas idas e vindas da escola terrena. Em uma dessas vidas, Soraia, então Amália do Canto Vaz conheceu Antenor, homem feio para os padrões sociais de beleza, franzino, cabelos ralos e nariz romano é desses que perdem o precioso tempo na roda da vida, cheia de realizações positivas, mas ofuscada pelo orgulho, vaidade e principalmente pelo egoísmo, sentimentos que certamente não deveriam ser a tônica da vida, ou quando menos, atrofiados e extinguidos da nossa existência, mas isso é outra história...
Por muitas encarnações, Soraia foi o grande amor de Antenor, no entanto, muitas delas não correspondido. Mas as tramas do destino, tão necessárias para o aprendizado e crescimento, trouxe para Antenor a amarga vivência com Amália (era o amor do Pai favorecendo o aprendizado de ambos). Desposou-a, mesmo sabendo não ser amado. Comprou sua felicidade dando-lhe mimos e luxos almejados pelas moças da região, já que o trabalho duro de anos trouxe-lhe riqueza e poder.
Anos pagando os caprichos daquela bela mulher, humilhado pela falta de amor e traído pelos arroubos da juventude de sua esposa, Antenor não resiste ao ódio e ao ciúme exacerbado e reafirma a vida construída na ilusão através do assédio moral e material sobre sua mulher. Trancada em um quarto sem qualquer comunicação com o mundo lá fora, insalubre e lúgubre, Amália saiu da vida de riqueza e futilidades para o inferno em vida.
A vitalidade da juventude deu lugar ao rosto cansado e sofrido sugado por aquele que a amava e jurava amor eterno. Anos trancafiada, mal alimentada e objeto de sexo indesejado trouxe a ela a doença da alma, a melancolia, o desamor. Enfraquecida e sem vontade de viver, Amália feneceu nos braços de Antenor que naquele momento não sabia qual era o verdadeiro sentimento: o da vingança ou da perda do seu amor.
Após a morte de Amália, Antenor tornou-se cada vez mais amargo e sem sentimentos. Trazia em sua mente o ódio por aquela mulher para quem dedicou tanto amor e carinho e dela só recebeu desprezo. E pelas portas da bebida e acompanhado pelos irmãos infelizes que se acoplam no mal, Antenor passou também pelas portas da morte, percebendo que a vida continua e que sua vingança podia ser “eterna”. Assim, o reencontro no mundo espiritual de Amália (Soraia) e Antenor margeou o constrangimento e a dor da humilhação... (continua).
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Nem azul, nem cristal! Espírita!
Outro dia, me contava Tertuliano, que em diálogo com uma amiga querida que mudou-se para as plagas paulistas, ela falou-lhe do episódio ocorrido em uma palestra sobre os “meninos índigo” no Centro Espírita que frequenta.
Segundo ela, em determinado momento, quando a palestrante discorria sobre os meninos azuis um ouvinte, mais exaltado, informou que aquilo não se tratava de espiritismo e que a palestrante deveria se informar melhor antes de defender aquela tese.
Ela contou a Tertuliano que houve espanto geral e que alguns integrantes da Casa insinuaram que o irmão contestador estava obsediado e deveria ser encaminhado ao tratamento da obsessão.
Curioso, Tertuliano tratou de pesquisar sobre o assunto e recebeu da amiga os textos que o exaltado ouvinte havia pesquisado. Lendo os textos, Tertuliano falou-me de algumas características dos garotos azuis.
Você sabia que:
- os meninos azuis agem com realeza, invertem as situações, manipulando as pessoas, especialmente seus pais;
- não se relacionam bem com os outros, exceto se as pessoas forem iguais a eles;
- tem propensão ao vício, como drogas durante a adolescência, e
- estão nascendo com o DNA alterado.
Todas essas informações são passadas aos idealizadores da tese das “crianças índigo” através da psicografia por um espírito que se autodenomina Kryon, explicou-me Tertuliano e me questionou: “O que isso tem a ver com espiritismo”.
- “A não ser um possível fenômeno anímico ou mediúnico, nada!”, disse-me ele.
Lembrou que Kardec sempre foi incisivo quanto aos postulados que ferissem o bom-senso e a razão. E concluiu:
- Se o planeta está passando de provas e expiações para um mundo de regeneração como se explica que espíritos com características de orgulho, prepotência e egoísmo seriam os enviados para nos ajudar nessa transição? Como qualquer mudança no DNA irá alterar a evolução moral, que é do espírito, desses meninos azuis?
Para finalizar, ligou para sua amiga e disse: “Peça ao nosso irmão exaltado se desculpar pelo modo como interrompeu a palestra apenas, mas nunca por colocar a razão como obrigatoriedade na compreensão da verdade relativa!”.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Quem é Soraia? – Parte 1
Quem pode imaginar uma jovem, de apenas 17 anos, ter tantas histórias para contar numa vida tão curta? De beleza serena, terna e doce, ela chamava atenção de todos que a circundavam, principalmente a dos homens, pela atração física que exercia. Olhos castanhos amendoados sempre distantes e, com um quê de tristeza, pairavam sobre o tempo. Ninguém sabia explicar o tom de vida daquela moça dada a melancolia.
Soraia sempre foi uma criança pacata e tímida. Desde sua infância sempre alimentou histórias de que havia um homem que a perseguia em seus sonhos e, como toda criança a “mente criativa” era sempre a desculpa dada pelos pais para as narrativas ilusórias, não observando a importância do fato para o desenrolar de suas vidas.
Com pais em constantes desajustes, egoístas na forma de pensar e agir, Soraia cresceu em ambiente poluído e sujo pelos pensamentos menos edificantes. O desequilíbrio emocional imperava na vida daquelas pessoas e o principal elemento para uma vida saudável estava muito longe: o amor.
A única coisa que de melhor restava era o carinho da vó Sinoca que em seu aconchego diminuía as tristezas e depressão. Esse, talvez, fosse seu único momento de paz interior, necessidade sentida pelos pais ausentes. Sinoca era senhora de pouco estudo, mas de grande conhecimento da vida. Sentia muito pelo seu filho único ser um pai ausente e por uma nora orgulhosa e materialista que vivia de futilidades. Sabia da tristeza da neta, mas não imagina a extensão do problema que vinha de atitudes passadas e mal resolvidas em nossas várias existências. Para Sinoca restava-lhe, diante daquele quadro, preces sublimes enviadas a mãe santíssima e ao seu filho Jesus.
Assim Soraia cresceu e a cada ano que passava as “alucinações” só aumentavam e o recolhimento interior era sua principal arma para o que, no seu entendimento, o que melhor tinha a fazer. O tal moço era seu grande tormento e as noites tornavam-se intermináveis e de sofrimento. Era sempre a mesma situação, ao adormecer escutava gritos de horror e uma mão sempre estendida, convidava-a para o caminho mais obscuro da mente humana. Uma força, sobremaneira forte, atraia para aqueles braços...
Ao acordar, Soraia sempre tinha as mesmas sensações: medo, dor e repugnância daquilo que sua mente, em vigília, já não mais lembrava. Quem era aquele homem? O que acontecia? Porque uma moça tão jovem estava a beira da loucura? E as preces da vó Sinoca não ajudavam?
Os anos se arrastavam para Soraia e a pressão só aumentava a cada dia. Os remédios receitados pelos médicos já não faziam o efeito esperado, afinal de contas, o que estava doente? A medicina terrena ainda engatinha na ótica da cura corpo/espírito e muito ainda irá contribuir para as mazelas da humanidade quando da descoberta de que não somos apenas um corpo de carne.
Dia após dia, a tormenta crescia em seu íntimo e aos 17 anos, no arroubo de livrar-se das obsessões da mente adoecida, Soraia comete o pior ato de fuga: o suicídio. Nem em seus pensamentos mais longínquos e pouco lúcidos podiam imaginar que com aquela ação impensada fosse apenas o começo do que de pior iria experimentar, seus dramas estavam apenas começando...
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Devagar com o andor...
Tertuliano inicia a reunião mediúnica com uma oração exortando o Mestre Jesus pela sua bondade e amor e que o clima dos trabalhos transcorra coberto de luz e paz. Observa Lenardo, jovem médium, psicofônico e psicógrafo, com farto conhecimento teórico da Doutrina e experenciando, agora, o contato fluídico com os irmãos desencarnados.
Lenardo, passa então, a falar com voz pausada e impostada:
- “Caros irmãos, gostaria de agradecer em nome de Jesus a oportunidade de poder-lhes falar sobre o grande projeto destinado a esta Casa de Amor.”
Tertuliano aproxima-se e aduz:
- “Seja bem vindo querido irmão. Que a paz do Mestre nos ilumine a todos”. De que projeto fala o irmão?
- “Do grande projeto determinado pela espiritualidade para este Centro. A partir de agora passaremos a ditar o primeiro de uma grande série de livros. Colocaremos os postulados nunca dantes revelados aos encarnados.”
E Tertuliano questionou:
-“Que bom meu amigo. Mas fale-me mais sobre esse projeto?”
- “A Espiritualidade sabedora das necessidades da Casa”, disse o irmão, “implantou um plano para que aqui se crie uma central de livros. Será criada uma gráfica onde os escritores espíritas poderão imprimir seus livros, sendo que toda a renda auferida reverterá em favor dos necessitados”.
- “Mas que bom, afirmou Tertuliano”. E inquiriu:
- “Contudo, por que foi escolhida justamente esta Casa tão singela e esses trabalhadores iniciantes que tanto dificultarão o trabalho”?
Entusiasmado afirmou o comunicante:
- “Trabalharemos dia-a-dia no desenvolvimento dos mecanismos dos médiuns e continuaremos enviando textos e mensagens curtas e isso manterá uma indicação constante dos próximos passos. Não podemos escapar ao nosso comprometimento e o futuro dessa Casa é o futuro do movimento tocantinense”.
Após a “desincorporação” do irmão, Tertuliano explicitou;
- “Devemos sempre ter em mente que na Casa Espírita e principalmente no grupo mediúnico é imperativo observarmos as questões relativas aos projetos mirabolantes que nos levem a figurar nas telas da exibição”.
E concluiu:
- “Lembremos que cada qual possui seus conflitos egóricos que nos levam a competição, exacerbando os sentimentos relativos ao orgulho. O mais sábio a fazer é que analisemos com critério e sob a orientação de Kardec as propostas aqui apresentadas por aqueles que Jesus permitiu servir em sua Seara”.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
A branca nova?
Mineiro, filho de tradicional família espírita, daquelas que aparecem em fotos amareladas nos livros espíritas impressos no inicio do século passado, o irmão Hecateu, médium psicofônico ostensivo passou a ter comportamento estranho nas reuniões.
Acostumado com seu feitio sério e contraditório, Tertuliano não entendia a dificuldade que o mesmo passara a apresentar para sintonizar com a espiritualidade. Afeito aos conhecimentos do pentateuco kardecista, Hecateu tinha por bíblia Obras Póstumas, onde sempre pontuava teoricamente os acontecimentos das reuniões, além de nos ajudar a compreendermos melhor alguns conceitos deixados pelo mestre lionês.Torce o nariz daqui, torce o nariz de lá, se mexe na cadeira, mãos sobre a mesa e mãos sobre os joelhos. Realmente incomodado. Tertuliano percebendo aquela aflição se aproxima e pergunta:
- Tudo bem, irmão Hecateu?
- Não está nada bem, nada bem Tertuliano!
- Mas, o que tanto o incomoda?
- Irmão Tertuliano, tem uma Preta Velha rondando aqui e está querendo falar!
- Sim, mas qual é o problema então?
- O nosso grupo é kardecista e não posso dar passividade a uma Preta Velha!
Pacientemente, questiona o irmão Tertuliano:
- Mas qual o objetivo principal do nosso trabalho? Não é ajudarmos a nós mesmos e ao próximo?
- Sim, é.
- Então, por qual motivo você está segurando a comunicação?
- Mas é uma Preta Velha! Exclamou.
Irmão Tertuliano então completou:
- Poderia ser uma branca velha ou uma preta nova. É o próximo e a nossa obrigação é dar amor!
Mesmo um tanto contrafeito e sucumbindo ao argumento, Hecateu permitiu-se ao acoplamento perispiritual e a partir de então, intermitentemente, ouvíamos bons conselhos para o grupo.
Com o tempo, nosso irmão Hecateu livrou-se dos preconceitos entendendo que tanto a Casa Espírita, quanto o grupo mediúnico estão para servir ao próximo que lá aporta.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
O Vale das Sombras
Depois de um dia intenso de trabalho, tarefas do lar e diálogo familiar, Eulália prepara-se para o sono reparador, tão necessário ao corpo físico, quiçá para o espírito, que mesmo liberto das amarras da matéria por vezes sente a necessidade do descanso. Entretanto, naquela noite de paz e serenidade no aconchego do lar, Eulália nem imaginava o que a aguardava em horas do sono profundo.
Como de costume, a prece com elevação às regiões angelicais, onde Maria de Nazaré é lembrada pela sublime missão de advogada nossa, Eulália adormece. Com o auxílio de Samuel, anjo protetor de todas as horas, irmão de muitas jornadas, ela levemente deixa o corpo físico. Já no plano astral depara-se com a missão, junto com Nalu, de resgatar do Vale das Sombras, o irmão Tertuliano, que, incumbido de levar alento aos necessitados e desprovidos do conhecimento da lei de amor, perdeu-se nas energias ilusórias daqueles irmãos.
De posse de todas as informações, Eulália e Nalu, seguidas pelo imperceptível Samuel, seguem a rota obscura, estreita e tenebrosa até o Vale. Ao longe, se podia observar, as construções mal acabadas, de tons terra e engendradas conforme o número de habitantes. A atmosfera era tão pesada que mal dava para respirar, já que a sensação desértica misturava-se ao pó que vinha das alamedas estreitas.
Observadas por olhos curiosos, as duas entraram numa habitação que mais parecia um labirinto de corredores com passagem para os mais diversos recintos, apenas resguardados por cortinas velhas e empoeiradas. Nalu, com determinação e coragem, de uma a uma, levantava aqueles trapos em busca de Tertuliano... os farrapos humanos comidos por feridas fétidas, olhavam com olhos de desespero, angústia ou de contentamento por aquela vida transformada pelos pensamentos e atitudes menos nobres.
Depois de alguns minutos sem sucesso na operação, as duas missionárias intuitivamente, orientadas por Samuel, seguiram por ladeira íngreme com a notícia do paradeiro de Tertuliano. No céu acinzentado por densa poluição, sobrevoava animais alados monstruosos que mais pareciam gárgulas a espreita de alguma situação. A tapera, que mais parecia um amontoado de barro, abrigava família que há anos não sabia o que era luz, portanto, cegos diurnos e de conhecimento. Enfraquecido pelo ambiente e pela doação de passes magnéticos aos infelizes, Tertuliano carecia de ajuda para o retorno, já que o ambiente psíquico, cheio de germes, trazia mal estar para o corpo astral.
Tertuliano foi retirado pelos braços amorosos de Samuel, libertando-o das energias malfazejas. Juntos, Eulália, Nalu e Samuel, guiados pelo amor maior que vem do mais alto, seguiram rumo a saída da cidade em preces comoventes, rogando a Jesus que um dia o amor prevalecesse e que aquelas almas perdidas na ignorância pudessem ser resgatas e levadas às colônias benevolentes para que, com o processo misericordioso da reencarnação, recebessem a ditosa missão de evoluir.
domingo, 7 de agosto de 2011
Tertuliano, o dialogador
Olá, abraços fraternos a todos.
Meu pseudônimo é Tertuliano. Me identifico como dialogador, mas na realidade somos mais conhecidos como Doutrinadores. Contudo, em virtude das controvérsias quanto à denominação do trabalhador espírita que se presta a "conversar" com os irmãos desencarnados (e encarnados, raramente) ser chamado de doutrinador exprime uma condição difícil de ser alcançada. Dialogador exprime melhor a tarefa por mim executada.
Bom, vamos ao que interessa! Sou de família de espíritas práticos. Minha mãe e tios faziam reuniões em um barracão no fundo do quintal de minha avó, sem terem os conhecimentos teóricos que a Doutrina Espírita detalhou através da codificação kardequiana.
Grande lição! Desde criança tenho tido contato com os irmãos necessitados de uma palavra de amor e fraternidade. Da adolescência até meus 40 anos, o tempo se passou sem que eu me desse conta da existência de algo maior, transcendente e verdadeiro: o Evangelho de Jesus!
Ao chegar em Palmas passei a frequentar a Federação Espírita e entre um curso e outro me vi dialogando com meus irmãos, tão necessitados quanto eu de um rumo, de atenção e mudança de atitude.
Hoje, ministro cursos sobre mediunidade e uma dessas turmas tornou-se um grupo mediúnico. Irmãos Fraternos (outra história a ser contada). Toda às segundas estamos no CEAC com a equipe espiritual de nossos irmãos franciscanos dando o pouco de bom que possuímos em favor de nós e de nossos irmãos necessitados.
Assim, semanalmente estarei aqui para contar-lhes algumas das experiências vividas juntamente com Eulália e os demais "médiuns", a fim de que possamos todos conhecer um pouco melhor essa Doutrina maravilhosa, que ensina, consola, transforma e ama!
Que o Mestre Jesus sempre esteja em nosso caminho para que possamos sob sua inspiração, trazer o seu exemplo de amor ao próximo.
Tertuliano
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O mundo que encontrei...
Eulália tinha apenas 18 anos quando as primeiras experiências mediúnicas aconteceram. Época de descobertas, festas, rock'roll e wisky. Nem de longe sabia das atividades além da dimensão terrena, ou para falar a verdade, não lembrava das várias situações da infância (a cigana com lenço na cabeça). Pois bem, naquela noite, festa intimista na casa da amiga Lara. Convidados chegando, gente bacana e bem intencionada, papo rolando solto e descompromissado...A primeira dose...antes do fim da segunda...quem é Eulália? Que voz era aquela?
Poemas e poesias eram entonadas no mais puro idioma inglês. Willian Blake?? Não...Era o rei camaleão, com doses de embriagues inconsequente e obsessivas. Eulália nunca mais seria a mesma depois daquela noite. A sua vida junto ao mundo espiritual estava apenas começando. O tratamento, auxiliado pela amiga Katja e sua mãe, senhora de porte elegante e espírita de longa data, foi a abertura para que anos depois, Eulália conhecesse de perto as mais belas estórias do mundo Além da Dimensão...
Poemas e poesias eram entonadas no mais puro idioma inglês. Willian Blake?? Não...Era o rei camaleão, com doses de embriagues inconsequente e obsessivas. Eulália nunca mais seria a mesma depois daquela noite. A sua vida junto ao mundo espiritual estava apenas começando. O tratamento, auxiliado pela amiga Katja e sua mãe, senhora de porte elegante e espírita de longa data, foi a abertura para que anos depois, Eulália conhecesse de perto as mais belas estórias do mundo Além da Dimensão...
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