segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quem é Soraia? – Parte 1


Quem pode imaginar uma jovem, de apenas 17 anos, ter tantas histórias para contar numa vida tão curta? De beleza serena, terna e doce, ela chamava atenção de todos que a circundavam, principalmente a dos homens, pela atração física que exercia. Olhos castanhos amendoados sempre distantes e, com um quê de tristeza, pairavam sobre o tempo. Ninguém sabia explicar o tom de vida daquela moça dada a melancolia.

Soraia sempre foi uma criança pacata e tímida. Desde sua infância sempre alimentou histórias de que havia um homem que a perseguia em seus sonhos e, como toda criança a “mente criativa” era sempre a desculpa dada pelos pais para as narrativas ilusórias, não observando a importância do fato para o desenrolar de suas vidas.

Com pais em constantes desajustes, egoístas na forma de pensar e agir, Soraia cresceu em ambiente poluído e sujo pelos pensamentos menos edificantes. O desequilíbrio emocional imperava na vida daquelas pessoas e o principal elemento para uma vida saudável estava muito longe: o amor.  

A única coisa que de melhor restava era o carinho da vó Sinoca que em seu aconchego diminuía as tristezas e depressão. Esse, talvez, fosse seu único momento de paz interior, necessidade sentida pelos pais ausentes. Sinoca era senhora de pouco estudo, mas de grande conhecimento da vida. Sentia muito pelo seu filho único ser um pai ausente e por uma nora orgulhosa e materialista que vivia de futilidades. Sabia da tristeza da neta, mas não imagina a extensão do problema que vinha de atitudes passadas e mal resolvidas em nossas várias existências.  Para Sinoca restava-lhe, diante daquele quadro, preces sublimes enviadas a mãe santíssima e ao seu filho Jesus.

Assim Soraia cresceu e a cada ano que passava as “alucinações” só aumentavam e o recolhimento interior era sua principal arma para o que, no seu entendimento, o que melhor tinha a fazer. O tal moço era seu grande tormento e as noites tornavam-se intermináveis e de sofrimento. Era sempre a mesma situação, ao adormecer escutava gritos de horror e uma mão sempre estendida, convidava-a para o caminho mais obscuro da mente humana. Uma força, sobremaneira forte, atraia para aqueles braços...

Ao acordar, Soraia sempre tinha as mesmas sensações: medo, dor e repugnância daquilo que sua mente, em vigília, já não mais lembrava. Quem era aquele homem? O que acontecia? Porque uma moça tão jovem estava a beira da loucura? E as preces da vó Sinoca não ajudavam?

Os anos se arrastavam para Soraia e a pressão só aumentava a cada dia. Os remédios receitados pelos médicos já não faziam o efeito esperado, afinal de contas, o que estava doente? A medicina terrena ainda engatinha na ótica da cura corpo/espírito e muito ainda irá contribuir para as mazelas da humanidade quando da descoberta de que não somos apenas um corpo de carne.

Dia após dia, a tormenta crescia em seu íntimo e aos 17 anos, no arroubo de livrar-se das obsessões da mente adoecida, Soraia comete o pior ato de fuga: o suicídio. Nem em seus pensamentos mais longínquos e pouco lúcidos podiam imaginar que com aquela ação impensada fosse apenas o começo do que de pior iria experimentar, seus dramas estavam apenas começando...   

   

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Devagar com o andor...


Tertuliano inicia a reunião mediúnica com uma oração exortando o Mestre Jesus pela sua bondade e amor e que o clima dos trabalhos transcorra coberto de luz e paz. Observa Lenardo, jovem médium, psicofônico e psicógrafo, com farto conhecimento teórico da Doutrina e experenciando, agora, o contato fluídico com os irmãos desencarnados.
Lenardo, passa então, a falar com voz pausada e impostada:
- “Caros irmãos, gostaria de agradecer em nome de Jesus a oportunidade de poder-lhes falar sobre o grande projeto destinado a esta Casa de Amor.”
Tertuliano aproxima-se e aduz:
- “Seja bem vindo querido irmão. Que a paz do Mestre nos ilumine a todos”. De que projeto fala o irmão?
- “Do grande projeto determinado pela espiritualidade para este Centro. A partir de agora passaremos a ditar o primeiro de uma grande série de livros. Colocaremos os postulados nunca dantes revelados aos encarnados.”
E Tertuliano questionou:
-“Que bom meu amigo. Mas fale-me mais sobre esse projeto?”
- “A Espiritualidade sabedora das necessidades da Casa”, disse o irmão, “implantou um plano para que aqui se crie uma central de livros. Será criada uma gráfica onde os escritores espíritas poderão imprimir seus livros, sendo que toda a renda auferida reverterá em favor dos necessitados”.
- “Mas que bom, afirmou Tertuliano”. E inquiriu:
- “Contudo, por que foi escolhida justamente esta Casa tão singela e esses trabalhadores iniciantes que tanto dificultarão o trabalho”?
Entusiasmado afirmou o comunicante:
- “Trabalharemos dia-a-dia no desenvolvimento dos mecanismos dos médiuns e continuaremos enviando textos e mensagens curtas e isso manterá uma indicação constante dos próximos passos. Não podemos escapar ao nosso comprometimento e o futuro dessa Casa é o futuro do movimento tocantinense”.
Após a “desincorporação” do irmão, Tertuliano explicitou;
- “Devemos sempre ter em mente que na Casa Espírita e principalmente no grupo mediúnico é imperativo observarmos as questões relativas aos projetos mirabolantes que nos levem a figurar nas telas da exibição”.
E concluiu:
- “Lembremos que cada qual possui seus conflitos egóricos que nos levam a competição, exacerbando os sentimentos relativos ao orgulho. O mais sábio a fazer é que analisemos com critério e sob a orientação de Kardec as propostas aqui apresentadas por aqueles que Jesus permitiu servir em sua Seara”.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A branca nova?

Mineiro, filho de tradicional família espírita, daquelas que aparecem em fotos amareladas nos livros espíritas impressos no inicio do século passado, o irmão Hecateu, médium psicofônico ostensivo passou a ter comportamento estranho nas reuniões.
Acostumado com seu feitio sério e contraditório, Tertuliano não entendia a dificuldade que o mesmo passara a apresentar para sintonizar com a espiritualidade. Afeito aos conhecimentos do pentateuco kardecista, Hecateu tinha por bíblia Obras Póstumas, onde sempre pontuava teoricamente os acontecimentos das reuniões, além de nos ajudar a compreendermos melhor alguns conceitos deixados pelo mestre lionês.

Torce o nariz daqui, torce o nariz de lá, se mexe na cadeira, mãos sobre a mesa e mãos sobre os joelhos. Realmente incomodado. Tertuliano percebendo aquela aflição se aproxima e pergunta:

- Tudo bem, irmão Hecateu?
- Não está nada bem, nada bem Tertuliano!
- Mas, o que tanto o incomoda?
- Irmão Tertuliano, tem uma Preta Velha rondando aqui e está querendo falar!
- Sim, mas qual é o problema então?
- O nosso grupo é kardecista e não posso dar passividade a uma Preta Velha!


Pacientemente, questiona o irmão Tertuliano:

- Mas qual o objetivo principal do nosso trabalho? Não é ajudarmos a nós mesmos e ao próximo?
- Sim, é.
- Então, por qual motivo você está segurando a comunicação?
- Mas é uma Preta Velha! Exclamou.


Irmão Tertuliano então completou:


- Poderia ser uma branca velha ou uma preta nova. É o próximo e a nossa obrigação é dar amor!

Mesmo um tanto contrafeito e sucumbindo ao argumento, Hecateu permitiu-se ao acoplamento perispiritual e a partir de então, intermitentemente, ouvíamos bons conselhos para o grupo.
Com o tempo, nosso irmão Hecateu livrou-se dos preconceitos entendendo que tanto a Casa Espírita, quanto o grupo mediúnico estão para servir ao próximo que lá aporta.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Vale das Sombras


Depois de um dia intenso de trabalho, tarefas do lar e diálogo familiar, Eulália prepara-se para o sono reparador, tão necessário ao corpo físico, quiçá para o espírito, que mesmo liberto das amarras da matéria por vezes sente a necessidade do descanso. Entretanto, naquela noite de paz e serenidade no aconchego do lar, Eulália nem imaginava o que a aguardava em horas do sono profundo.

Como de costume, a prece com elevação às regiões angelicais, onde Maria de Nazaré é lembrada pela sublime missão de advogada nossa, Eulália adormece. Com o auxílio de Samuel, anjo protetor de todas as horas, irmão de muitas jornadas, ela levemente deixa o corpo físico. Já no plano astral depara-se com a missão, junto com Nalu, de resgatar do Vale das Sombras, o irmão Tertuliano, que, incumbido de levar alento aos necessitados e desprovidos do conhecimento da lei de amor, perdeu-se nas energias ilusórias daqueles irmãos.

De posse de todas as informações, Eulália e Nalu, seguidas pelo imperceptível Samuel, seguem a rota obscura, estreita e tenebrosa até o Vale. Ao longe, se podia observar, as construções mal acabadas, de tons terra e engendradas conforme o número de habitantes. A atmosfera era tão pesada que mal dava para respirar, já que a sensação desértica misturava-se ao pó que vinha das alamedas estreitas.

Observadas por olhos curiosos, as duas entraram numa habitação que mais parecia um labirinto de corredores com passagem para os mais diversos recintos, apenas resguardados por cortinas velhas e empoeiradas. Nalu, com determinação e coragem, de uma a uma, levantava aqueles trapos em busca de Tertuliano... os farrapos humanos comidos por feridas fétidas, olhavam com olhos de desespero, angústia ou de contentamento por aquela vida transformada pelos pensamentos e atitudes menos nobres.

Depois de alguns minutos sem sucesso na operação, as duas missionárias intuitivamente, orientadas por Samuel, seguiram por ladeira íngreme com a notícia do paradeiro de Tertuliano. No céu acinzentado por densa poluição, sobrevoava animais alados monstruosos que mais pareciam gárgulas a espreita de alguma situação. A tapera, que mais parecia um amontoado de barro, abrigava família que há anos não sabia o que era luz, portanto, cegos diurnos e de conhecimento. Enfraquecido pelo ambiente e pela doação de passes magnéticos aos infelizes, Tertuliano carecia de ajuda para o retorno, já que o ambiente psíquico, cheio de germes, trazia mal estar para o corpo astral.         

Tertuliano foi retirado pelos braços amorosos de Samuel, libertando-o das energias malfazejas. Juntos, Eulália, Nalu e Samuel, guiados pelo amor maior que vem do mais alto, seguiram rumo a saída da cidade em preces comoventes, rogando a Jesus que um dia o amor prevalecesse e que aquelas almas perdidas na ignorância pudessem ser resgatas e levadas às colônias benevolentes para que, com o processo misericordioso da reencarnação, recebessem a ditosa missão de evoluir.  

domingo, 7 de agosto de 2011

Tertuliano, o dialogador




Olá, abraços fraternos a todos.


Meu pseudônimo é Tertuliano. Me identifico como dialogador, mas na realidade somos mais conhecidos como Doutrinadores. Contudo, em virtude das controvérsias quanto à denominação do trabalhador espírita que se presta a "conversar" com os irmãos desencarnados (e encarnados, raramente) ser chamado de doutrinador exprime uma condição difícil de ser alcançada. Dialogador exprime melhor a tarefa por mim executada.

Bom, vamos ao que interessa! Sou de família de espíritas práticos. Minha mãe e tios faziam reuniões em um barracão no fundo do quintal de minha avó, sem terem os conhecimentos teóricos que a Doutrina Espírita detalhou através da codificação kardequiana.

Grande lição! Desde criança tenho tido contato com os irmãos necessitados de uma palavra de amor e fraternidade. Da adolescência até meus 40 anos, o tempo se passou sem que eu me desse conta da existência de algo maior, transcendente e verdadeiro: o Evangelho de Jesus! 

Ao chegar em Palmas passei a frequentar a Federação Espírita e entre um curso e outro me vi dialogando com meus irmãos, tão necessitados quanto eu de um rumo, de atenção e mudança de atitude.

Hoje, ministro cursos sobre mediunidade e uma dessas turmas tornou-se um grupo mediúnico. Irmãos Fraternos (outra história a ser contada). Toda às segundas estamos no CEAC com a equipe espiritual de nossos irmãos franciscanos dando o pouco de bom que possuímos em favor de nós e de nossos irmãos necessitados.

Assim, semanalmente estarei aqui para contar-lhes algumas das experiências vividas juntamente com Eulália e os demais "médiuns", a fim de que possamos todos conhecer um pouco melhor essa Doutrina maravilhosa, que ensina, consola, transforma e ama!

Que o Mestre Jesus sempre esteja em nosso caminho para que possamos sob sua inspiração, trazer o seu exemplo de amor ao próximo.


Tertuliano

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O mundo que encontrei...

Eulália tinha apenas 18 anos quando as primeiras experiências mediúnicas aconteceram. Época de descobertas, festas, rock'roll e wisky. Nem de longe sabia das atividades além da dimensão terrena, ou para falar a verdade, não lembrava das várias situações da infância (a cigana com lenço na cabeça). Pois bem, naquela noite, festa intimista na casa da amiga Lara. Convidados chegando, gente bacana e bem intencionada, papo rolando solto  e descompromissado...A primeira dose...antes do fim da segunda...quem é Eulália? Que voz era aquela?

Poemas e poesias eram entonadas no mais puro idioma inglês. Willian Blake?? Não...Era o rei camaleão, com doses de embriagues inconsequente e obsessivas. Eulália nunca mais seria a mesma depois daquela noite. A sua vida junto ao mundo espiritual estava apenas começando. O tratamento, auxiliado pela amiga Katja e sua mãe, senhora de porte elegante e espírita de longa data, foi a abertura para que anos depois, Eulália conhecesse de perto as mais belas estórias do mundo Além da Dimensão...