sexta-feira, 13 de março de 2015

Nem tudo é o que parece...

Em uma de nossas reuniões mediúnicas, diferentemente do costumeiro, a Irmã Eulália permanecia quieta com se prestasse atenção em algo que somente ela tinha acesso. Após alguns minutos, o Irmão Tertuliano aproximou-se e perguntou o que se passava.

Eulália disse que havia um irmão contando uma história. Tertuliano então rogou-lhe concentração e pediu que o irmão manifestasse seu desiderato. Nesse momento ouvimos a seguinte colocação:

- Você quer mesmo ouvir minha história meu irmão, pois então vou contá-la! 

- Estamos aqui para ouvi-lo caro irmão. Prossiga. Disse Tertuliano.

O irmão então iniciou sua odisseia.

- Pois bem. Meu nome é Agnaldo e fui escravo. Eu e meu amigo Pierino. Fizemos muita mortandade em nome da liberdade de nossos irmãos. Quando morri tudo virou noite. Fui parar nas furnas e ainda como escravo. Sofrimento moço... muito sofrimento.

Parou por instante como se refizesse das dores e prosseguiu:

- Trabalho pesado e muitos castigos. Após alguns anos encontrei Peirino na mesma situação que eu. Anos e anos a fio. Tinha um chefe lá. Interessante, ele usava uma roupa de dragão e tinha um rabo grande. O engraçado é que ele tinha cara de lagartixa... assim com o nariz cumprido.

- Sim meu amigo! Aparteou Tertuliano e perguntou: - E depois?

- Depois...depois. Colocaram esse chefe nas minhas costas e eu tinha que carregá-lo daqui pra lá e de lá pra cá. Todo aquele peso nas minhas costas, isso sem contar com as chibatadas, surras, queimaduras e todas as sevícias impostas.

- Porém tinha uma irmã escrava que só aparecia lá de vez em quando. A Irmã Maria do Rusáro. Ela sempre me dizia que eu tivesse esperança, pois meu sofrimento estava perto de acabar. Certo dia um capataz chamado Sr. Otávio que batia na gente devagar chamou-nos de lado e disse que havia chegado a hora.

- É meu irmão trememos acreditando no pior. Então ele e a irmã Rusaro se juntaram e nos explicaram que Jesus nos chamava. Falaram que o Dragão era só um homem vestido com aquela carapaça para nos assustar. Assim perdemos o medo, pois ele era igual a nós. Então, nos colocaram debaixo de um lençol branco e quando tiraram estávamos aqui nesse hospital. É... meu irmão, pois é. Ele mesmo o irmão Otávio precisar bater para ninguém desconfiar... 

- Agora estamos aqui nos tratando. Ainda temos muito que aprender, evoluir e o único caminho é nascer de novo. Porém sempre agradecemos a Deus pela ajuda e também pedimos por aqueles irmãos que se prestam a esse trabalho de amor do resgate aos que ainda sofrem nos umbrais da vida... Obrigado por me ouvirem.

Isto feito, o Irmão Tertuliano cerrou seus olhos e em prece sentida agradeceu a Espiritualidade de Amor a grande oportunidade do trabalho na seara do Mestre.


Aos nossos irmãos de caminhada Beto e Bete.

terça-feira, 3 de março de 2015

E nós com raivinha tola...

Em a nossa reunião do Grupo Irmãos Fraternos temos irmãos cuja mediunidade varia desde a psicofonia, mais comum, passando pela psicografia, pela pictografia, pela intuição, pela clarividência, pela clariaudiência, entre outras.

Por ser um grupo evidenciado pela psicofonia, às vezes não percebemos que valorosas lições nos são reveladas pela clariaudiência. Exemplo disso nos foi dado pela mediunidade da Irmã Eulália, que após terminada a reunião nos agraciou com a seguinte narrativa.

- Hoje senti muita dificuldade em concentrar, mas após uma prece comecei a perceber o dialogo entre dois irmãos desencarnados. Parecia-me uma sessão de psicoterapia, para ser mais exata. O irmão que contava sua história revelava o seguinte:

- "Estou aqui entre um misto de ansiedade e preocupação". 

- "Sim meu irmão. Paciente seu coração e deixe-o tiluminar-se ao discorrer os fatos". Assim falou o inteluctor amorosamente.

- "Claro, claro. Amanhã é o desencarne do meu padrastro, porém me entristece muito não poder ir lá recebê-lo. Aos 7 anos de idade ele me assassinou e agora aos 77 anos irá desencarnar".

E prosseguiu:

- "No início sofri muito. Principalmente com a saudade dilacerante de minha querida mãezinha. Não entendia as causas de passar por aquilo. Carinhosamente fui recebido neste hospital escola e durante esses anos orientado amorosamente por aqueles que labutam em nome do Cristo."

- "Inicialmente acreditava eu ser um problema da inexorável lei de causa e efeito. Que o escândalo havia de ser praticado como forma do amor do Pai na harmonização da lei universal. Qual o que, meu Irmão? A dissenção, pelo contrário, iniciara nessa vida. O ciúmes embotou os pensamentos do meu padastro levando-o ao trágico ato de crueldade."

Respirou fundo, como se desejasse alinhar os sentimentos e confessou:

- "O tempo, a dedicação e amor doado a mim pelos prepostos do Cristo aliviaram as dores e clarearam meus pensamentos, levando-me ao sublime sentimento do perdão. Entendi que ele precisava do meu amor e compreensão."

- "Passou então a negar a si mesmo o cometimento da barbárie. Porém, ao passar dos anos e acometido de doença grave, o remorso e o medo se apossaram de sua pessoa. Após seus delírios, nos momentos de lucidez afirmava que via-me na espreita com a incumbência de vingar-me e matá-lo."    

E assim prosseguiu:

- "Pobre irmão. Irá desencarnar amanhã envolto nessa nuvem da culpa. Porém, não poderei recebê-lo com o amor que por ele ora vibra em meu peito, pois o desespero certamente irá  deles se apossar na hora do desenlace."

Ao terminar sua narrativa, o irmão ouvinte declinou:

- "É com jubilo que vejo em você o aprendizado da lição. Perdoar é sublime e você agiu bem ao trabalhar o perdão nesses anos todos. Isso é uma forma de amar o próximo.Você bem sabe que poderá continuar ajudando-o, mesmo de longe."

E completou:

- Por isso, meu irmão, o seu exemplo servirá àqueles que ainda não aprenderam a perdoar as pequenas coisas e fará refletir o quanto necessitamos delas resolvidas para perdoar as grandes!"   


Dedico esse texto ao meu Irmão Rômulo, 
chamado ontem a exercitar o perdão! 

domingo, 1 de março de 2015

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa!!!

Intrigado ultimamente com as renúncias de alguns irmãos quanto ao trabalho em nosso Grupo Mediúnico e por parecer ironia, mas denominado Irmãos Fraternos por sugestão dos trabalhadores franciscanos, questione o Irmão Tertuliano sobre essa demanda, visto imputar àqueles a obrigatoriedade do postulado.

Tertuliano, sempre evocando a sabedoria dos nossos Maiores, lembrou-me a seguinte colocação de Emmanuel:

- "Mediunidade é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode sintonizá-lo com o objetivo que procura. Médium, por essa razão, não será somente aquele que se desgasta no intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Espiritualidade".
 
E, adendou a alertar-me:

 -"Mediunidade sem exercício no bem, é semelhante ao título profissional sem a função que lhe corresponde".

Após declinar essas palavras de Emmanuel, prosseguiu:

- Porém, caro Irmão, há que se respeitar o livre-arbítrio da criatura humana e suas necessidades e precisões na vivência terrena. Como sustentar o lar financeiramente? Como se preparar para a garantia da velhice? Como dar amparo e orientação aos filhos negando-lhes a presença?

Então, dentro dos parcos conhecimentos questionei:

- Mas... mas caro Tertuliano, a reencarnação não é uma necessidade para a evolução? E não é através dessas experiências transcendentais que nos conscientizamos, além de praticarmos a caridade e recebermos bem mais do que doamos?

Tertuliano calmamente me esclareceu:

- Certamente. Mas, quantos de nós de certo modo, encarnamos, desencarnamos e reencarnamos como se estivéssemos hibernados feito urso dentro da nossa caverna a aguardar a passagem do rigoroso inverno? E o que fazemos quando o verão brilha o Sol da esperança nos aquecendo?

Parou por instantes e exclamou:

- Nada! ou quase nada! nos insulamos em nossas preocupações corriqueiras e não despertamos para nós mesmos!

Prosseguindo disse:

- Deus na sua bondade infinita nos permite a escolha de nossas provas e missões. Se fomos agraciados com a reencarnação não compulsória devemos fazer bom proveito disso. O livre-arbítrio nos permite escolher onde, quando e como. Contudo, esparge-se a oportunidade da realização. Sabermos utilizar com parcimônia nosso tempo e fazer o tempo de servir é sinal de sabedoria.

Respirou fundo, como se arejasse seus pensamentos e concluiu:

- Não nos cabe o julgamento. Nos cabe entender e aceitar, sem nos abstermos da tarefa rogada. E como bem nos diz o Irmão Inácio Ferreira... se exitem forças que conspiram em nosso favor, exitem outras que urdem contra nós. A quais delas oferecemos sintonia?