Em diálogo fraterno com o Irmão Tertuliano elucidava-me sobre algumas particularidades da mediunidade e principalmente, dos médiuns. Falava-me que muitos irmãos que receberam a dádiva da mediunidade, por provavelmente estarem em encarnações de resgate devido aos enredos de vidas passadas, acreditam contrariamente serem “os escolhidos”.
Assim, argumentou:
- “Querido irmão, o maior inimigo do médium mora nele mesmo. Além da necessidade do auto-conhecimento para vencer suas más tendências, insiste em não buscar o conhecimento no Evangelho de Jesus e no estudo kardecista sobre o fenômeno mediúnico”.
- “Sempre acreditei que dependia somente da espiritualidade”, ponderei.
Com sua paciência particular, ele aludiu:
- “É o que a grande maioria dos irmãos que labutam na seara Espírita acreditam. Para eles, a Espiritualidade sempre dará um jeito. Mal sabem que além do comportamento e da vontade pessoal de reforma-se, as instituições ou casas espíritas ainda congregam muitos irmãos que por caprichos e paixões sintonizam com outros desejosos na inviabilização dos trabalhos nelas realizados”.
E prosseguiu:
- “O pior é que muitos acreditam que descascar e cozinhar alguns legumes os credenciam a humilhar os menos favorecidos com discursos irônicos dando a impressão que já galgaram os páramos da espiritualidade”.
Assim, disse-me, parafraseando nosso irmão Astolfo de Oliveira:
-“A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo... O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação... Antes de cogitar da doutrinação dos outros, encarnados ou desencarnados, o médium sincero necessita compreender que é preciso a iluminação de si próprio pelo conhecimento”.
Finalizando, lembrou-me:
- “a maior caridade que podemos nos fazer é nos aceitarmos falíveis. Trabalharmos para nossa reforma e esperarmos dos irmãos de Luz a ajuda que necessitamos nessa mudança. Evidente é que é obrigatório fazermos nossa parte e não colocarmos nas mãos dos nossos irmãos mentores toda a responsabilidade pela nossa irresponsabilidade”.
Pensei de mim para comigo:
- “Aprendi mais uma!”