terça-feira, 29 de maio de 2012

A batalha: Parte II - algumas explicações


- Bom, a primeira coisa a fazer é de modo algum, suspender o tratamento psicológico e psiquiátrico. Afirmei categoricamente, e prossegui:

- Alguns irmãos da lide espiritualista no geral e outros Espíritas, no particular, tem se olvidado das instruções kardecianas relativas à necessidade do tratamento médico. Profissionais que por anos sentaram-se nos bancos das academias, experienciaram em suas "residências" e prosseguem no trato com esmero de casos dessa natureza, não podem ser substituídos por tratamentos alternativos.  

E complementei:
- A fluidoterapia com passes e água fluidificada, o atendimento fraterno, o Evangelho no Lar e a prece são processos auxiliadores na cura e não substitutivos do tratamento médico. Assim, aconselho que o Senhor passe a frequentar semanalmente a nossa palestra pública e o atendimento fraterno. Por outro lado, o Senhor definirá um dia na semana e um horário para que seja implantado o Evangelho no seu lar. Inicialmente, iremos acompanhá-lo nas primeiras semanas.

De posse dessas informações, Seu Jean deu prosseguimento na escolha da data e horário e passou a frequentar as reuniões públicas, onde passou a ter mais conhecimento sobre o Evangelho de Jesus, bem como o atendimento fraterno, levando sua garrafinha de água para ser fluidificada.

No dia aprazado, o Irmão Tertuliano, Amália, Seu Severo e eu, fomos à casa do Seu Jean para implantarmos o Evangelho no Lar. No portão fomos bem recebidos por sua esposa, que nos encaminhou a uma mesa postada na varanda e nos convidou a sentar.

Disse estar feliz com nossa iniciativa e que o Seu Jean estava terminando o banho. O Irmão Tertuliano tomou a iniciativa e questionou:

- E como estão as coisas por aqui? E o seu rapaz, como tem passado? 

- Na mesma, senão pior! Exclamou Dona Adelmira. Só mesmo Deus nessa causa!

Nesse instante, o Seu Jean teve conosco e feliz com nossa presença explicou-nos a situação. 

- O menino agora vive trancando no quarto com as janelas fechadas e no escuro. Fala sozinho o tempo todo e continua dizendo que o homem prossegue falando dentro do seu cérebro.

Aproveitando a pausa o Irmão Tertuliano esclareceu como se processava o Evangelho no Lar, dizendo:

- Caro Irmão, como o Senhor sabe a Doutrina Espírita não possui fórmulas mágicas e busca se apartar de rituais. O processo de nossa cura inicia-se na mudança de pensamento, quando alteramos nossa sintonia e passamos a realizar nossa reforma. O modelo do Evangelho no Lar que estamos lhe mostrando, apesar de seguir etapas, não passa de uma sugestão longe de ser algo fechado e imutável, ficando posteriormente a seu critério, o modo e o ritmo de procedê-lo na sua casa.

Após breves instantes, continuou:

- O Senhor deverá colocar sobre a mesa, recipientes com água destinados a cada pessoa da casa. Inicialmente faremos uma prece, louvando e agradecendo a Deus pela oportunidade da reencarnação que nos premia com as chances dos resgates tão necessários à nossa evolução. Depois, abriremos aleatoriamente o livro Pão Nosso de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier e posteriormente, O Evangelho Segundo o Espiritismo, da Codificação kardequiana . Após as leituras dos textos, teceremos comentários sobre as lições contidas e a relação delas com nossas vidas. Isto feito, faremos a prece de encerramento, quando agradeceremos a Jesus pela oportunidade de nos reunirmos em seu nome e rogaremos que nos ajude em nossas necessidades de acordo com os nossos merecimentos.

E assim o fizemos. Porém ao iniciarmos a prece, a Irmã Eulália em desdobramento parcial observou quando uma entidade de aspecto mórbido incitava o Irmão mais velho, que encontrava-se em seu quarto lendo a Bíblia em voz alta, para que o mesmo se armasse de uma faca e investisse contra o Irmão Tertuliano.

De súbito, ele veio em direção da mesa e passou a desferir golpes contínuos com a arma nas costas de Tertuliano, numa fúria insana e desmedida!

Essa história continua...    

domingo, 20 de maio de 2012

A batalha: parte I - o enredo.

- Cada um tem as suas necessidades para passar por aquilo que está passando! exclamou-me Eulália preocupada com meus comentários.

Ainda pensativo e chateado após o atendimento fraterno do Seu Jean que comentara a situação de seu filho Anselmo, comentei que não me conformava em estarmos perdendo a guerra.

Lembro-me que há quatro anos, após um surto psicótico de Anselmo que ficou sumido por dias sendo encontrado perdido na mata que circunda o aeroporto de Palmas, o Senhor Jean foi assistir palestra no Centro Espírita frequentado por nós.

Convidado pelo Senhor Severo, após assistir a palestra, Seu Jean me foi apresentado, momento no qual eu o convidei para vir no outro dia, sábado, pela manhã, a fim de que pudéssemos conversar melhor. Primeiro a chegar no dia seguinte, Seu Jean ouviu atentamente a leitura do livro Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel e psicografo por Chico Xavier e página aleatória do Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec.

Após as devidas explanações feitas por Eulália, foi encaminhado a cabine de fluidoterapia, onde lhe foram aplicados passes espirituais. Terminado o atendimento com as vibrações e orações finais, convidei-o para sentarmo-nos em banco de madeira sob a sombra de um pequizeiro.

Iniciei nosso diálogo perguntando o que o trazia a nossa casa, quando ele respondeu:

- Lá em casa o ambiente está difícil. Agora com esse sumiço do Anselmo as coisas elas pioraram!

- Sim, mas essa história certamente não se incia nesse desaparecimento. O Senhor pode falar à vontade, pois estamos aqui para ouvi-lo.

- Bom, retrucou. O Anselmo sempre foi um rapaz normal. Trabalhava, estudava e se divertia como todos de sua idade. Há dois anos, seu irmão mais velho convidou-o a participar dos cultos da igreja que ele frequentava e Anselmo aceitou. Passado um ano e meio, Anselmo já se destacava pelo conhecimento bíblico e por pequenas palestras que fazia.

E prosseguiu:

- Prestes a ser graduado na Igreja, ele foi convidado a jejuar alguns dias e intensificar a leitura da bíblia, a fim de que fosse aprovado nos testes. Trancou-se em seu quarto, confidenciou Seu Jean, e iniciou a empreita. Após o segundo dia, preocupada, sua mãe pediu que abrisse a porta, o que ele fez, porém já não dizia coisa com coisa!

Com os olhos marejados, continuou Seu Jean:

- Dava dó, moço! O menino falava que estava vendo monstros e que havia um velho escanchado em seus ombros e falava o tempo todo dentro de sua cabeça! Daí pra frente o menino só fez piorar. Deixou o trabalho e amuado fica sentando pelos cantos da casa falando sozinho.

- E o Senhor já procurou ajuda médica ou algum profissional de psicologia? Questionei.

- Sim, ele vive sob efeito de remédio controlado que o psiquiatra receitou e vai toda semana no psicólogo. Elucidou. Mas o menino só faz piorar, por isso vim aqui buscar ajuda.

Essa história continua...