Em a nossa reunião do Grupo Irmãos Fraternos temos irmãos cuja mediunidade varia desde a psicofonia, mais comum, passando pela psicografia, pela pictografia, pela intuição, pela clarividência, pela clariaudiência, entre outras.
Por ser um grupo evidenciado pela psicofonia, às vezes não percebemos que valorosas lições nos são reveladas pela clariaudiência. Exemplo disso nos foi dado pela mediunidade da Irmã Eulália, que após terminada a reunião nos agraciou com a seguinte narrativa.
- Hoje senti muita dificuldade em concentrar, mas após uma prece comecei a perceber o dialogo entre dois irmãos desencarnados. Parecia-me uma sessão de psicoterapia, para ser mais exata. O irmão que contava sua história revelava o seguinte:
- "Estou aqui entre um misto de ansiedade e preocupação".
- "Sim meu irmão. Paciente seu coração e deixe-o tiluminar-se ao discorrer os fatos". Assim falou o inteluctor amorosamente.
- "Claro, claro. Amanhã é o desencarne do meu padrastro, porém me entristece muito não poder ir lá recebê-lo. Aos 7 anos de idade ele me assassinou e agora aos 77 anos irá desencarnar".
E prosseguiu:
- "No início sofri muito. Principalmente com a saudade dilacerante de minha querida mãezinha. Não entendia as causas de passar por aquilo. Carinhosamente fui recebido neste hospital escola e durante esses anos orientado amorosamente por aqueles que labutam em nome do Cristo."
- "Inicialmente acreditava eu ser um problema da inexorável lei de causa e efeito. Que o escândalo havia de ser praticado como forma do amor do Pai na harmonização da lei universal. Qual o que, meu Irmão? A dissenção, pelo contrário, iniciara nessa vida. O ciúmes embotou os pensamentos do meu padastro levando-o ao trágico ato de crueldade."
Respirou fundo, como se desejasse alinhar os sentimentos e confessou:
- "O tempo, a dedicação e amor doado a mim pelos prepostos do Cristo aliviaram as dores e clarearam meus pensamentos, levando-me ao sublime sentimento do perdão. Entendi que ele precisava do meu amor e compreensão."
- "Passou então a negar a si mesmo o cometimento da barbárie. Porém, ao passar dos anos e acometido de doença grave, o remorso e o medo se apossaram de sua pessoa. Após seus delírios, nos momentos de lucidez afirmava que via-me na espreita com a incumbência de vingar-me e matá-lo."
E assim prosseguiu:
- "Pobre irmão. Irá desencarnar amanhã envolto nessa nuvem da culpa. Porém, não poderei recebê-lo com o amor que por ele ora vibra em meu peito, pois o desespero certamente irá deles se apossar na hora do desenlace."
Ao terminar sua narrativa, o irmão ouvinte declinou:
- "É com jubilo que vejo em você o aprendizado da lição. Perdoar é sublime e você agiu bem ao trabalhar o perdão nesses anos todos. Isso é uma forma de amar o próximo.Você bem sabe que poderá continuar ajudando-o, mesmo de longe."
E completou:
- Por isso, meu irmão, o seu exemplo servirá àqueles que ainda não aprenderam a perdoar as pequenas coisas e fará refletir o quanto necessitamos delas resolvidas para perdoar as grandes!"
Dedico esse texto ao meu Irmão Rômulo,
chamado ontem a exercitar o perdão!