Continuação de Boo! Tem hora que dá medo!
Nesse momento, remontei aos diversos sonhos, quando em desdobramento frequentava lugares escuros, pessoas lascivas, sexo, medos e fugas volitantes. Será que o irmão referia-se a mim? Certamente que sim! Enfim dei graças à Deus pela raridade dessas viagens nos dias atuais.
Certo de que a carapuça serviria em todos os participantes da reunião, o Irmão Tertuliano prosseguiu o diálogo com coerência:
- Pois bem Irmão, agradecemos vosso aviso, pois desse modo nos ajuda a revermos-nos dentro da necessidade da mudança, da reforma interior e buscarmos no Cristo o verdadeiro caminho.
- Nem me fale nesse aí! Exclamou o padecedor irmão. Esse fraco, esse cordeiro! Se fosse realmente quem diz ser não teria se deixado ofender! Eu não, sou forte. Domino e meu reino é grande. Muitos estão sob minha custódia e tantos outros sob meu jugo!
Então, aparteou o Irmão Tertuliano:
- Por vezes o que julgamos fraqueza na realidade é força. Força do amor, querido irmão. Se o Mestre permitiu-se sofrer foi por amor a nós. Para nos mostrar que o Reino de Deus pertence aos mansos e pacíficos.
Gargalhou estentoreamente e adendou:
- Amor? Que tipo de amor foi usado nas Cruzadas? Amor ao poder e ao ouro? E na Inquisição? Amor de perdição, morte e dor? Esse é o amor do seu Cordeiro!
- Equivoca-se meu amigo. Respostou Tertuliano. A palavra é fria, contudo suas interpretações trazem o calor das visões apaixonadas em busca das desculpas para os atos vis e pessoais. Jesus sempre pregou a mansietude e se deturparam o sentido dos seus ensinamentos em busca de proveito próprio, em nada muda seu Evangelho.
- Pois, em nome desse evangelho disseram-me que eu deveria lutar pela Terra Santa. Deixei os meus e segui a cruz. Iniquidade foi o que encontrei pelo caminho. Ao retornar havia tanto sangue manchando minhas mãos que nunca mais pude me refazer. Quando morri vaguei pelos Vales de dor, sem contudo livrar-me da culpa. Reencarnei para aprendizado séculos depois e por ironia em família católica.
- Sim, meu irmão, prossiga, adiu Tertuliano.
- Desde pequeno via e ouvia coisas. Cristão penitente confessava as ocorrências ao meu pároco. Covardemente escreveu carta a seus superiores no reinado de Aragão. Endemoniado diziam-me! Correntes e grilhões, açoites e confissões culminaram na fogueira! Quanta dor! Por isso, a vingança e a algia me comprazem e não são essas suas palavrinhas que me demoverão do meu intuito. Só vim avisá-los para não interferirem com os meus e nem no meu território.
- Mas nós não estamos interferindo em seu território. Essa Casa de Socorro pertence à Luz e pelo que eu sei vosso território localiza-se nas Trevas, argumentou Tertuliano.
Aguarde pacientemente, ainda tem mais...
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