domingo, 20 de abril de 2014

Eu sou feliz e não sabia!!!

Mais uma semana se passou e nos reuníamos para novo trabalho junto à espiritualidade capitaneada pelos nossos Irmãos Franciscanos. Após prece rogando ao Mestre de Luz, que protegesse o grupo na realização de mais esse trabalho semanal, a Irmã Natalina permitiu que irmãos trabalhassem energias para àqueles que, nos dois lados da vida, se encontravam em nosso recinto.
 

Inquieta com a situação, pois os irmãos gesticulavam e sopravam, a Irmã Natalina devido ao aprendizado teórico sobre a educação mediúnica resistia àquela atuação sofrendo os reflexos em seu corpo somático pela força do embate com os fluidos espirituais a serem espargidos, procurando não emitir sons e nem gestos.
 
 
Amorosamente, o Irmão Guerreiro se aproximou e elucidou que ela não se prendesse demasiadamente às regras, visto que, o trabalho realizado é um ato de amor ao próximo. Rogou aos irmãos que procedessem com suas tarefas de modo a não perturbarem os demais médiuns, que se encontravam em estado de concentração.
 
Concomitantemente, a Irmã Eulália permitia-se passível à junção perispiritual com determinada irmã que segredava ao Irmão Tertuliano haver desencarnado em acidente automobilístico e que sentia muitas saudades do esposo e filhos. Nisso, o Irmão Tertuliano obtemperou:
 
- Querida irmã. É certo que, ao adentrarmos o mundo verdadeiro não deixemos os sentimentos de saudades por aqueles que amamos. Porém, a caminhada é nossa e a ajuda amorosa do Mestre sempre nos serve como bálsamo.
 
Ao que respondeu a irmã:
 
- O Senhor está me falando das mesmas coisas que ouço os irmãos socorrista me dizerem. Eu sei disso tudo, mas você não entende! A saudade me dilacera o peito e fico angustiada por não ter dado valor às coisas simples do cotidiano. E prosseguiu:
 
- Devia ter dado mais valor aos passeios com minha família e não ter dado tanta importância aos encontros sociais... Aqueles fins de semana em casa, hoje vejo que eram muito mais acalentadores do que os chás com as minhas amigas da alta sociedade...
 
Nesse momento interferiu Tertuliano:
 
- Sim, entendo. Mas, você deveria aproveitar essas oportunidades e buscar atividades outras que possam mantê-la focada no seu aprendizado. Quem sabe algum tipo de trabalho? Lembra-nos Dr, Inácio Ferreira que a vassoura pode ser um santo remédio!
 
- Espírita teórico. Retrucou a irmã. Por hora tenho recebido o socorro ao qual estou apta. Com a ajuda dos irmãos benfazejos estou frequentando cursos e palestras. Quanto a algum tipo de trabalho encontro-me impossibilitada, pois no acidente de que fui vítima perdi meus membros superiores e inferiores.
 
- O nosso corpo espiritual é constituído por matéria plasmável e reconstituível. Elucidou Tertuliano e prosseguiu:
 
- A mente, sede das nossas vivências é quem comanda as atitudes e a aparência do nosso modelo biológico universal. Contudo, quando estamos presos a sentimentos de culpa ficamos repetindo as mesmas ideias, nos levando aos quadros de dor e desespero! E ponderou:
 
- A irmã deve continuar sua caminhada com fé no Mestre de Luz. O tempo a tudo equilibra se a vontade de crescer, aprender e amar se nota em nossos corações. Façamos uma prece ao Mais Alto rogando paz e harmonia.
 
E após orar, rogando à Espiritualidade de Amor a intervenção junto àquela irmã, a mesma confessou sentir-se mais calma e consolada. Agradecida desfez-se a união psíquica com a médium, sendo levada para repouso num quarto do Pronto Socorro Espiritual.
 
Por fim, Tertuliano lembrou:
 
- A vida de encarnado nos reclama as atividades da vida encarnada. Acordar, levantar, olhar pela janela, degustar o café da manhã, conversar com os familiares, trabalhar, abraçar os amigos, reunir-se à noite com os familiares, dormir, tudo isso tornou-se diligências automáticas por nos condicionarmos à modelo de semi-automatos. Porém, analisar e valorizar cada um desses atos nos permitirá conhecermos a relativa felicidade possível neste mundo de provas e expiações.    

domingo, 13 de abril de 2014

Nem o "nada" é por acaso

Como de praxe estávamos em nossa reunião mediúnica quando a Irmã Adriene, ofegante e em visível sofrimento deu passividade a um irmão que dizia sofrer muito, pois era escravo e estava preso acorrentado pelo pescoço.  

Nisso interviu o Irmão Vitorino iniciando-se o seguinte diálogo:

- Que a paz do nosso Mestre Jesus Cristo esteja conosco. Tenha um pouco de paciência, meu irmão. As correntes que o prende serão quebradas. E, nesse momento elevando o pensamento aos nossos Maiores rogou em prece a interferência da Mãe Santíssima.

Corridos alguns segundos, o Irmão Vitorino voltou a interferir:

- Bom meu irmão, agora que estás livre conte-nos sua história. Com isso, o irmão prosseguiu:

- Meu nome é Benedito. Eles me prenderam pois tentei escapar. Os castigos eram muitos e eles colocaram a charrua para eu puxar como seu eu fosse um animal! Exclamou e prosseguiu:

- Não satisfeitos, quando da nossa libertação, por maldade colocaram fogo na senzala e eu consegui escapar, mas muitos dos meus irmãos ainda estão lá, presos na ardência da chama daquele fogo que é o inferno. 

Nesse momento Vitorino aparteou:

- Entendo a vossa dor, meu querido irmão, mas entenda que o Pai é Senhor dos nossos destinos e tudo tem razão de ser.

- Mas...mas eu não fiz "nada"! Exclamou então, o desarvorado.

O Irmão Vitorino instintivamente colocou sua destra direita sobre o centro de força frontal do sofrido irmão e rogou permissão aos Mentores do trabalho que lhe fosse demonstrada sua tela mental com regressão à reencarnaçao anterior. Isto posto, o Irmão Benedito passou a descrever:


- Nossa sou eu. Estou num castelo e sou o carcereiro desse calabouço fétido. Mas, eu só fazia o meu trabalho. Se eu não cumprisse as ordens quem iria para o patíbulo seria eu...

- Mas, o irmão podia únicamente cumprir sua missão como "escravo" das ordens superiores e não sentir prazer e praticar suas funções com requintes de crueldade! Asserverou Vitorino, ao que Benedito concordou e continuou seu testemunho ao ver a presença de uma mulher que se aproximara:

  Tirem essa traidora daqui, não quero a presença dela perto de mim! Não adianta ela me implorar vou continuar perseguindo a família que ela cuida!

Com veemência alertou Vitorino:

- Mas você não está percebendo a sua situação. Por desvarios de vidas passadas o seu resgate do "nada" foi duro e desejas ainda, pelo ódio angariar mais débitos futuros? 
 
- Não! Não! Estou confuso. Chega do sofrimento, me ajudem. Preciso descansar, estou com sono... Rogava o sofredor.

O Irmão Vitorino elevou seus pensamentos ao Mestre e em prece profunda rogou a assistência àquele irmão sofredor convidando-o a permanecer em nosso Pronto Socorro Assistencial e induziu-o ao sono reparador.

Assim, o Irmão Vitorino confidenciou a todos que o Irmão Benedito dormiu sendo encaminhado à assistência cristã para se reajustar e reiniciar sua caminhada. E finalizando lembrou-nos que "nem o nada é por acaso".

Esse texto é uma singela homemagem ao meu Irmão Vitorino, 
trabalhador das plagas do Cristo.