Alguém nos
questionou se usar uma tatuagem na pele teria influência sobre o perispírito.
Há dirigentes de casas espíritas advertindo que todas as pessoas que fizeram ou
pensam em gravar tatuagens ou usar piercings, automaticamente estarão em
processo de obsessão.
Conhecemos
líderes espíritas convictos de que pessoas que tatuam o corpo inteiro ou o
enchem de piercings são espíritos primários que ainda carregam lembranças
intensas de experiências pretéritas, sobretudo dos tempos dos bárbaros, quando
belicosos e cruéis serviam-se dessas marcas na pele para se impor ante os
adversários.
Positivamente
não identificamos pontos de caráter prático no uso de tatuagens, especialmente
se a lesão imposta ao próprio corpo for por mero capricho.
Isso sim
refletirá invariavelmente no perispírito, já que, sendo o corpo físico (templo
da alma) um consentimento divino para nossas provas e expiações, devemos
mantê-lo dignamente protegido e saudável. Entretanto, será que o uso de
piercings e tatuagens sobrepujam qualidades morais? Quem pode penetrar na
intimidade do semelhante e saber o que aí ocorre?
Os que se tatuam devem procurar identificar seus motivos íntimos. Recordemos que o corpo é o templo do Espírito e não nos pertence, portanto, é importante preservá-lo contra agressões que possam mutilar a sua composição natural.
Há os que
usam vários brincos, piercings e outros adereços. Haveria a mutilação
espiritual por causa desses apetrechos?
Talvez
sim, provavelmente não! O certo é que o perispírito é efetivamente lesado pela
defecção moral, desequilíbrio emocional que leva a suicídios diretos e
indiretos; vícios físicos e mentais, rancores, pessimismos, ambição, vaidade desmesurada,
luxúria.
Esfola-se
o corpo espiritual todas as vezes que se prejudica o semelhante através da
maledicência, da agressividade, da violência de todos os níveis, da perfídia.
Destarte, analisado por esse prisma, os adereços afetam menos o corpo perispirítico.
André Luiz elucida que o perispírito não é reflexo do corpo físico; este é que reflete a alma.
“As lesões do corpo físico só terão, pois,
repercussão no corpo espiritual se houver fixação mental do indivíduo diante do
acontecido ou se o ato praticado estiver em desacordo com as leis que regem a
vida.”
As tatuagens
e as pequenas mutilações que alguns indivíduos elaboram como forma de
demonstrar amor a exemplo de alguém que grava o nome do pai ou da mãe no corpo
de modo discreto não trariam, logicamente, os mesmos efeitos que ocorreriam com
aqueles que se tatuam de modo resoluto, movimentados por anseios mais
grosseiros.
Curiosamente,
muitas pessoas, retornando ao plano espiritual, podem optar pelo uso dos
adornos aqui discutidos.
Segundo o
autor do livro Nosso Lar, “os desencarnados podem, sob o ponto de vista fluídico,
moldar mentalmente e de maneira automática, no mundo dos Espíritos, roupas e
objetos de uso e gosto pessoal. Destarte, é perfeitamente possível, embora
lamentemos que um ser no além-túmulo permaneça condicionado aos vícios,
modismos e tantas outras coisas frívolas da sociedade terrena.”.
Nas estruturas dos códigos espíritas não há espaços para proibições. Não obstante, a Doutrina dos Espíritos oferece-nos subsídios para ponderação a fim de que decidamos racionalmente sobre o que, como, quando, onde fazer ou deixar de fazer (livre-arbítrio).
Evidentemente
que não é o uso de tatuagens que retratará a índole e o caráter de alguém.
Todavia, não podemos perder de vista que alguns modelos de tatuagens, com
pretextos sinistros, podem ser classificados (sem anátemas) como censuráveis e
inadequados para um cristão de qualquer linhagem.
Nesse contexto, é importante compreender a pessoa de forma integral. As características anunciadas no corpo são resultados de seus estados mentais, reflexos das experiências culturais, aprendizados e interpretação de mundo. Como dissemos o Espiritismo não proíbe nada e fornece-nos as explicações para os fenômenos psíquicos.
Assim
sendo, as recomendações doutrinárias não combatem, porém conscientizam! Não são
indiferentes aos dramas existenciais e demonstram como edificar e marchar no
mais acautelado caminho.
Dissemos que o uso piercings e outros adereços e da própria tatuagem por si só não caracteriza alguém com ou sem moralidade. Investiguemos, porém as causas dessas atitudes. Quais sãos os anseios, os sonhos, as crenças dos que cobrem seus corpos com tais marcas? Tatuagens, piercings, são estágios transitórios. Importa alcançar, porém, se tais indivíduos estão mutilados psíquica, emocional e espiritualmente.
Perante
questões controversas, as mensagens kardecianas buscam na intimidade do ser o
seu real problema. Convidam-nos ao autoconhecimento e ao estágio do
auto-aprimoramento. Sugere-nos sensatez, autoestima, altivez, comedimento e a
busca incessante de Deus, o Exclusivo Ente, que facultara-nos completar de
contentamento e paz de consciência.
Jorge Hessen - http://jorgehessen.net
Referência
bibliográfica:
Levítico 19.28; Deuteronômio 14.1-2.
Xavier, Francisco Cândido e Vieira , Waldo.
Evolução em dois mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed.
FEB, 1959
Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado
pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1955










