- Cada um tem as suas necessidades para passar por aquilo que está passando! exclamou-me Eulália preocupada com meus comentários.
Ainda pensativo e chateado após o atendimento fraterno do Seu Jean que comentara a situação de seu filho Anselmo, comentei que não me conformava em estarmos perdendo a guerra.
Lembro-me que há quatro anos, após um surto psicótico de Anselmo que ficou sumido por dias sendo encontrado perdido na mata que circunda o aeroporto de Palmas, o Senhor Jean foi assistir palestra no Centro Espírita frequentado por nós.
Convidado pelo Senhor Severo, após assistir a palestra, Seu Jean me foi apresentado, momento no qual eu o convidei para vir no outro dia, sábado, pela manhã, a fim de que pudéssemos conversar melhor. Primeiro a chegar no dia seguinte, Seu Jean ouviu atentamente a leitura do livro Caminho, Verdade e Vida, de Emmanuel e psicografo por Chico Xavier e página aleatória do Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec.
Após as devidas explanações feitas por Eulália, foi encaminhado a cabine de fluidoterapia, onde lhe foram aplicados passes espirituais. Terminado o atendimento com as vibrações e orações finais, convidei-o para sentarmo-nos em banco de madeira sob a sombra de um pequizeiro.
Iniciei nosso diálogo perguntando o que o trazia a nossa casa, quando ele respondeu:
- Lá em casa o ambiente está difícil. Agora com esse sumiço do Anselmo as coisas elas pioraram!
- Sim, mas essa história certamente não se incia nesse desaparecimento. O Senhor pode falar à vontade, pois estamos aqui para ouvi-lo.
- Bom, retrucou. O Anselmo sempre foi um rapaz normal. Trabalhava, estudava e se divertia como todos de sua idade. Há dois anos, seu irmão mais velho convidou-o a participar dos cultos da igreja que ele frequentava e Anselmo aceitou. Passado um ano e meio, Anselmo já se destacava pelo conhecimento bíblico e por pequenas palestras que fazia.
E prosseguiu:
- Prestes a ser graduado na Igreja, ele foi convidado a jejuar alguns dias e intensificar a leitura da bíblia, a fim de que fosse aprovado nos testes. Trancou-se em seu quarto, confidenciou Seu Jean, e iniciou a empreita. Após o segundo dia, preocupada, sua mãe pediu que abrisse a porta, o que ele fez, porém já não dizia coisa com coisa!
Com os olhos marejados, continuou Seu Jean:
- Dava dó, moço! O menino falava que estava vendo monstros e que havia um velho escanchado em seus ombros e falava o tempo todo dentro de sua cabeça! Daí pra frente o menino só fez piorar. Deixou o trabalho e amuado fica sentando pelos cantos da casa falando sozinho.
- E o Senhor já procurou ajuda médica ou algum profissional de psicologia? Questionei.
- Sim, ele vive sob efeito de remédio controlado que o psiquiatra receitou e vai toda semana no psicólogo. Elucidou. Mas o menino só faz piorar, por isso vim aqui buscar ajuda.
Essa história continua...
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