Quando estudamos as propriedades do perispírito, me fascina aquela que o corpo espiritual possui de se plasmar tomando a feição que lhe aprouver. É encantador saber que ao desencarnar há a possibilidade de livrar-se da barriguinha, dos pneuzinhos e demais gorduras localizadas unicamente pela força do pensamento.
Contudo, não é sem merecimento ou "sofrimento" que tal mudança nos é permitida. Exemplificando o assunto, lembro-me de determinada passividade ocorrida em nossa reunião pela psicofonia da Irmã Eulália, na qual o Irmão Tertuliano entabulou o seguinte diálogo com uma irmã desarvorada.
- Ha ha ha ha! Cheguei. Quem me tirou do meu trabalho e me trouxe aqui? Gargalhava e exclamava a irmã desencarnada.
- Ninguém a tirou dos seus afazeres. Se vieste à nossa humilde casa é porque Jesus, em seu amor fraternal atende aos apelos daqueles por ti velam. Afirmou Tertuliano.
- Ha ha ha ha! A Pomba-Gira do Amor não precisa que cuidem dela. Sou linda e amada pelos homens, e de nada preciso.
- Lembre-se irmã, o nosso livre-arbítrio se relaciona diretamente com a nossa evolução moral. Nesse sentido ele é diretamente proporcional, não sendo contudo, absoluto. Quando o Pai interfere é porque em Sua onisciência sabe das nossas mais íntimas necessidades.
E prosseguiu...
- Não é sem motivação que a irmã veio ter conosco. Certamente surge no íntimo dos seus sentimentos a necessidade de mudança...
- Ha ha ha ha... Você é um louco. Eu, a Pomba-gira do Amor querendo mudar... Ha ha ha ha! Nunca meu querido, nunca. Veja meu longos cabelos escuros, minha pele alva e meus irresistíveis olhos negros. Quem resiste? Lá no meu terreiro sou eu quem manda e faço os trabalhos para os quais sou bem paga.
E ainda sorrindo confessou:
- Adoro a companhia de uma mulher casada. É ótimo influenciar essas coitadinhas a traírem seus maridos. Ha ha ha ha ...
- Além de não ser um louco, a única certeza que tenho, minha irmã - aparteou Tertuliano - é que ninguém aporta aqui sem que esteja em sofrimento, excetuando-se os nossos Maiores, que aqui estão para nos socorrer. Assim, você plasma essa fisionomia às custas de muito sofrimento e escravidão junto àqueles que a subjugam. Olhe-se intimamente e veja o que realmente você é.
- Não! Não! Não sou isso que você está me mostrando. Deixem-me ir, pois do contrário esse "cavalo" ficará com minhas energias. Lembre-se que estou cheia de álcool e tabaco e se não me liberarem agora deixarei todas essas energias no corpo dela... Ha ha ha ha.
Nesse momento, por ser médium semi-consciente, a Irmã Eulália externou a Tertuliano que a desencarnada exalava odores fétidos vindo de suas parte genitais e que quando chamada a ver-se o que realmente era, mostrou-se uma figura de aspecto asqueroso, repugnante e maltrapilha, ao que Tertuliano falou:
- Você ouviu o que a Irmã falou. É isso que você deseja para sua caminhada: embuste, sordidez e maldades? É hora de repensar seus caminhos, minha irmã e vir para o tratamento físico em seu corpo perispiritual e o entendimento moral dos exemplos do Cristo.
Ao sentir-se constrangida pelas verdades que vieram à tona desesperou-se. Buscava e chamava seus pares para socorrê-la e libertá-la daquele lugar. Negava veementemente ser "aquilo" que lhe fora mostrado na tela mental e num processo de auto-magnetização através do pensamento repetido (obsessão) plasmou-se a Pomba-gira do Amor.
Com palavras de súplica, Tertuliano exortou a Espiritualidade Franciscana para que amparasse aquela irmã presa nas teias da ignorância e das sensações, rogando que lhe fossem aplicadas energias que permitissem o desligamento fluídico, perispírito-perispírito, para que a infeliz pudesse ir.
Questionei por que foi permitido que ela voltasse ao seu antro e prosseguisse na sandice.
Tertuliano amorosamente aduziu:
- O propósito do Mestre Jesus para com ela, nessa noite, foi realizado. O choque anímico e o diálogo fraterno farão com que ela, ao menos, repense sua situação, visto que, a paz e o amor experimentados nessa noite ficarão marcados em seu pensamento fazendo com que reflita se ainda vale a pena o seu caminho tortuoso.
Pensei com meus botões:
- Hum... É assim que funciona!!!
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