domingo, 13 de abril de 2014

Nem o "nada" é por acaso

Como de praxe estávamos em nossa reunião mediúnica quando a Irmã Adriene, ofegante e em visível sofrimento deu passividade a um irmão que dizia sofrer muito, pois era escravo e estava preso acorrentado pelo pescoço.  

Nisso interviu o Irmão Vitorino iniciando-se o seguinte diálogo:

- Que a paz do nosso Mestre Jesus Cristo esteja conosco. Tenha um pouco de paciência, meu irmão. As correntes que o prende serão quebradas. E, nesse momento elevando o pensamento aos nossos Maiores rogou em prece a interferência da Mãe Santíssima.

Corridos alguns segundos, o Irmão Vitorino voltou a interferir:

- Bom meu irmão, agora que estás livre conte-nos sua história. Com isso, o irmão prosseguiu:

- Meu nome é Benedito. Eles me prenderam pois tentei escapar. Os castigos eram muitos e eles colocaram a charrua para eu puxar como seu eu fosse um animal! Exclamou e prosseguiu:

- Não satisfeitos, quando da nossa libertação, por maldade colocaram fogo na senzala e eu consegui escapar, mas muitos dos meus irmãos ainda estão lá, presos na ardência da chama daquele fogo que é o inferno. 

Nesse momento Vitorino aparteou:

- Entendo a vossa dor, meu querido irmão, mas entenda que o Pai é Senhor dos nossos destinos e tudo tem razão de ser.

- Mas...mas eu não fiz "nada"! Exclamou então, o desarvorado.

O Irmão Vitorino instintivamente colocou sua destra direita sobre o centro de força frontal do sofrido irmão e rogou permissão aos Mentores do trabalho que lhe fosse demonstrada sua tela mental com regressão à reencarnaçao anterior. Isto posto, o Irmão Benedito passou a descrever:


- Nossa sou eu. Estou num castelo e sou o carcereiro desse calabouço fétido. Mas, eu só fazia o meu trabalho. Se eu não cumprisse as ordens quem iria para o patíbulo seria eu...

- Mas, o irmão podia únicamente cumprir sua missão como "escravo" das ordens superiores e não sentir prazer e praticar suas funções com requintes de crueldade! Asserverou Vitorino, ao que Benedito concordou e continuou seu testemunho ao ver a presença de uma mulher que se aproximara:

  Tirem essa traidora daqui, não quero a presença dela perto de mim! Não adianta ela me implorar vou continuar perseguindo a família que ela cuida!

Com veemência alertou Vitorino:

- Mas você não está percebendo a sua situação. Por desvarios de vidas passadas o seu resgate do "nada" foi duro e desejas ainda, pelo ódio angariar mais débitos futuros? 
 
- Não! Não! Estou confuso. Chega do sofrimento, me ajudem. Preciso descansar, estou com sono... Rogava o sofredor.

O Irmão Vitorino elevou seus pensamentos ao Mestre e em prece profunda rogou a assistência àquele irmão sofredor convidando-o a permanecer em nosso Pronto Socorro Assistencial e induziu-o ao sono reparador.

Assim, o Irmão Vitorino confidenciou a todos que o Irmão Benedito dormiu sendo encaminhado à assistência cristã para se reajustar e reiniciar sua caminhada. E finalizando lembrou-nos que "nem o nada é por acaso".

Esse texto é uma singela homemagem ao meu Irmão Vitorino, 
trabalhador das plagas do Cristo.


 

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