Em diálogo descontraído antes de nossa reunião mediúnica, abordávamos sobre as dificuldades de reencarnação na Terra nos tempos atuais, quando o Irmão Tertuliano comentou sobre interessantes colocações descritas no Capítulo 39, do Livro Assim na Terra como no Céu da lavra de Inácio Ferreira, no qual ele diz a um grupo de irmãos em preparativos para o reencarne:
- Vocês já solicitaram medidas de proteção, como por exemplo, feiura, uma perna manca, corpo sem atrativo físico nenhum, nariz adunco, mandíbula projetada sobre o queixo, sudorese excessiva, careca precoce... eu sugeriria um pouco de surdez. Surdez e miopia.
E prosseguiu o Irmão Tertuliano descrevendo mais sobre o livro, reproduzindo as palavras do autor:
- Outra coisa: evitem, tanto quanto puderem, a política... Oremos pelos nossos irmãos políticos, fascinam-se tanto, que, sinceramente... É raro o político que não caí! Fujam a toda espécie de fanatismo, mormente o religioso; a ser religioso fanático é preferível ser ateu... Principalmente o espírita, quando se fanatiza ninguém aguenta: começa a se achar melhor que os outros, é o dono da verdade, vaidoso e tolo. Façam a caridade, pronto!
Ao ver que nos provocava risos sobre os parágrafos descritos na obra, Tertuliano continuou revelando as colocações do Dr. Inácio:
- Eu não sei se, dentre vocês, há algum candidato a médium, mas se houver, evite ser afetado; nada mais ridículo que um médium afetado, metido a besta...
E Tertuliano finalizou revelando mais uma frase do livro em questão:
- Sem humildade, honestidade no cumprimento do dever, dignidade à família, amor no coração, solidariedade, fé em Jesus Cristo, vocês se chafurdarão!
Bom meus irmãos, temos consciência de que hoje estamos elaborando nossa vida no amanhã. A fim de que cheguemos mais preparados para as nossas escolhas futuras não estruamos nosso tempo com futilidades e mesquinharias. Arregacemos as mangas e sejamos os trabalhadores de todas a horas.

Muitos espíritas falam que não devemos perder tempo com novelas, programas sobre crimes, carnaval e outras futilidades.
ResponderExcluirQuem quiser conferir há alguns videos no youtube onde Divaldo fala sobre o carnaval e este é um deles: https://www.youtube.com/watch?v=M5f-sKCO8Og
Grande Tertuliano!
ResponderExcluirParabéns pelo texto. Realmente muito interessante. O trecho que mais me chamou a atenção foi o conselho do Dr. Inácio sobre evitar o envolvimento com política o quanto possível. De fato, sabemos que a
busca e a conquista do poder político nas sociedades atuais é um forte elemento de corrupção e de tentação da honestidade.
Aproveitando o ensejo, gostaria de sua opinião sobre um assunto, no mínimo, delicado entre os espíritas, sobre o qual eu ainda não consegui encontrar um posicionamento claro. Sabemos que discutir política é algo um tanto delicado, pois tem grande potencial de ferir os melindres alheios. Por isso, irei me restringir a alguns posicionamentos políticos
explícitos por parte de encarnados e desencarnados em obras espíritas.
1) Em 1924, Leon Denis publicou um livro intitulado "Socialismo e Espiritismo". Não cheguei a ler esta obra, mas, falando por alto, sei que ele argumenta no sentido de indicar que os ideais políticos que
embasam o socialismo não estariam em contradição com os ensinamentos da doutrina espírita.
2) Em 1938, em Brasil, coração do mundo, Humberto de Campos ditou ao Chico Xavier: (penúltima página)
"Nesta época de confusão e amargura, quando, com as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das
instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria tranquilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal."
3) Por fim, em 1970-1971, em um dos dois programas Pinga Fogo (não me lembro se no primeiro ou no segundo), o próprio Chico Xavier, quando perguntado por Saulo Gomes sobre a situação política do Brasil, faz um longo discurso elogioso ao regime militar, as "forças que nos defendem contra a intromissão de quaisquer ideologias vinculadas à desagregação"
e complementa dizendo que "nós precisamos resguardar o nosso coração para que essas ideias não se infiltrem em nossa vida pública, em nossa
vida coletiva, para que não venhamos a perder o dom da liberdade em Jesus Cristo".
Diante destes posicionamentos, qual a sua opinião?
Se, por um lado, é certo que os slogans do marxismo e do socialismo foram deliberadamente empregados por estadistas mal-intencionados como justificativa para uma série de atrocidades ao longo da história da humanidade, de outro lado, não me parece nem um pouco razoável condenar o marxismo/socialismo como
uma doutrina política "intrinsecamente" ruim.
Além disso, parece-me que as políticas de caráter assistencialista (as quais possuem uma clara inspiração socialista), também ocorrem nas colônias avançadas do plano espiritual. Como exemplo temos o caso emblemático daquela senhora preguiçosa em "Nosso Lar", que, mesmo permanecendo na completa ociosidade, nem por isso foi expulsa da colônia
ou deixou de receber vestuário, moradia e alimento.
Um outro ponto que precisa ser levado em consideração é que, diante da audiência do Pinga Fogo e da magnitude da missão a ser desempenhada pelo Chico no Brasil, seria de se esperar que ele não viesse a fazer uma condenação pública do regime militar no auge dos anos de chumbo. Imagino que o Chico jamais iria ter a imprudência de dizer algo que poderia fazer com que ele viesse a ser preso e seus livros censurados, pois isso poderia representar até mesmo o fim do espiritismo no país!
Não tenho conhecimento de outro posicionamento político diferente por parte do Chico Xavier, depois da democratização do país.
E então, como ficamos?
Um forte abraço.
Caro Mr. Baelish,
ResponderExcluirJulgar qual o melhor regime econômico que se confunde com o político é tarefa por demais além da nossa compreensão dos desígnios da Criação para a atual fase evolutiva do planeta.
Nos arvorarmos em dizer que este é o melhor (mais correto) ou pior, dentro da nossa verdade relativa é temoroso e nos levará certamente a equívocos.
Contudo, à luz da Doutrina Espírita podemos buscar alguns subsídios que nos orientem nesse caminho. Em primeiro lembremos da ordem do Cristo, "dei a Cesar o que é de Cesar". Aqui se decidirmos ser capitalistas (liberais) devemos dar a Cesar o que é dele, a nossa força de trabalho pelo prazer do consumo. Se é bom para nós? Aí o livre-arbítrio de cada um comanda. Ressalte-se que esse tipo de regime econômico de tendência consumista leva-nos em relacionamento estreito com o egoísmo. E na pergunta 913 dos Livro dos Espíritos, sobre qual o pior dos vícios, nossos Maiores nos revelam ser egoísmo, pois é dele que deriva todo mal.
Seu apontamento sobre Nossa Lar é totalmente coerente. Mais que uma cidade socialista, percebe-se expressões claras de comunismo. Contudo, em nosso planeta, experiências nesse sentido foram mal interpretadas e utilizadas para o domínio e sofrimento. Mais uma vez o livre-arbítrio de cada um se faz presente.
Assim, parece-nos uma questão pessoal. Qualquer regime pode nos levar ao progresso moral e intelectual, desde que saibamos utilizar nosso livre arbítrio em prol de minimizarmos as dores alheias. A caridade cabe em qualquer regime econômico e político. Assim, regimes são apenas regimes. Nós que ao fazermos uso deles os direcionamos para o social ou pessoal. Para a caridade ou para o egoísmo.
Caríssimo Tertuliano.
ResponderExcluirEu não poderia ter pensado numa resposta melhor! De fato, concordo contigo que seria uma grande imprudência da nossa parte nos arrogarmos a escolher qual seria o sistema político-econômico "ideal".
Além de imprudente, este tipo de especulação também esconde um certo perigo, especialmente quando consideramos a enorme quantidade de sangue que já jorrou ao longo da história da humanidade por conta de disputas como essa.
Se, por um lado, é certo que nossa natureza questionadora e filosófica jamais se cansará de tentar especular sobre temas que estão além da nossa capacidade de compreensão (como a natureza de Deus, a vida nos mundos perfeitos e o desenrolar dos acontecimentos futuros), por outro lado, é fundamental que tenhamos a prudência e a humildade de manter estas considerações e discussões no limite do bom-senso e da sábia caridade.
Um abraço!