Em uma de nossas reuniões mediúnicas, diferentemente do costumeiro, a Irmã Eulália permanecia quieta com se prestasse atenção em algo que somente ela tinha acesso. Após alguns minutos, o Irmão Tertuliano aproximou-se e perguntou o que se passava.
Eulália disse que havia um irmão contando uma história. Tertuliano então rogou-lhe concentração e pediu que o irmão manifestasse seu desiderato. Nesse momento ouvimos a seguinte colocação:
- Você quer mesmo ouvir minha história meu irmão, pois então vou contá-la!
- Estamos aqui para ouvi-lo caro irmão. Prossiga. Disse Tertuliano.
O irmão então iniciou sua odisseia.
- Pois bem. Meu nome é Agnaldo e fui escravo. Eu e meu amigo Pierino. Fizemos muita mortandade em nome da liberdade de nossos irmãos. Quando morri tudo virou noite. Fui parar nas furnas e ainda como escravo. Sofrimento moço... muito sofrimento.
Parou por instante como se refizesse das dores e prosseguiu:
- Trabalho pesado e muitos castigos. Após alguns anos encontrei Peirino na mesma situação que eu. Anos e anos a fio. Tinha um chefe lá. Interessante, ele usava uma roupa de dragão e tinha um rabo grande. O engraçado é que ele tinha cara de lagartixa... assim com o nariz cumprido.
- Sim meu amigo! Aparteou Tertuliano e perguntou: - E depois?
- Depois...depois. Colocaram esse chefe nas minhas costas e eu tinha que carregá-lo daqui pra lá e de lá pra cá. Todo aquele peso nas minhas costas, isso sem contar com as chibatadas, surras, queimaduras e todas as sevícias impostas.
- Porém tinha uma irmã escrava que só aparecia lá de vez em quando. A Irmã Maria do Rusáro. Ela sempre me dizia que eu tivesse esperança, pois meu sofrimento estava perto de acabar. Certo dia um capataz chamado Sr. Otávio que batia na gente devagar chamou-nos de lado e disse que havia chegado a hora.
- É meu irmão trememos acreditando no pior. Então ele e a irmã Rusaro se juntaram e nos explicaram que Jesus nos chamava. Falaram que o Dragão era só um homem vestido com aquela carapaça para nos assustar. Assim perdemos o medo, pois ele era igual a nós. Então, nos colocaram debaixo de um lençol branco e quando tiraram estávamos aqui nesse hospital. É... meu irmão, pois é. Ele mesmo o irmão Otávio precisar bater para ninguém desconfiar...
- Agora estamos aqui nos tratando. Ainda temos muito que aprender, evoluir e o único caminho é nascer de novo. Porém sempre agradecemos a Deus pela ajuda e também pedimos por aqueles irmãos que se prestam a esse trabalho de amor do resgate aos que ainda sofrem nos umbrais da vida... Obrigado por me ouvirem.
Isto feito, o Irmão Tertuliano cerrou seus olhos e em prece sentida agradeceu a Espiritualidade de Amor a grande oportunidade do trabalho na seara do Mestre.
Aos nossos irmãos de caminhada Beto e Bete.
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