Intrigado ultimamente com as renúncias de alguns irmãos quanto ao trabalho em nosso Grupo Mediúnico e por parecer ironia, mas denominado Irmãos Fraternos por sugestão dos trabalhadores franciscanos, questione o Irmão Tertuliano sobre essa demanda, visto imputar àqueles a obrigatoriedade do postulado.
Tertuliano, sempre evocando a sabedoria dos nossos Maiores, lembrou-me a seguinte colocação de Emmanuel:
- "Mediunidade é instrumento vibrátil e cada criatura consciente pode
sintonizá-lo com o objetivo que procura.
Médium, por essa razão, não será somente aquele que se desgasta no
intercâmbio entre os vivos da Terra e os vivos da Espiritualidade".
E, adendou a alertar-me:
-"Mediunidade sem exercício no bem, é semelhante ao título profissional
sem a função que lhe corresponde".
Após declinar essas palavras de Emmanuel, prosseguiu:
- Porém, caro Irmão, há que se respeitar o livre-arbítrio da criatura humana e suas necessidades e precisões na vivência terrena. Como sustentar o lar financeiramente? Como se preparar para a garantia da velhice? Como dar amparo e orientação aos filhos negando-lhes a presença?
Então, dentro dos parcos conhecimentos questionei:
- Mas... mas caro Tertuliano, a reencarnação não é uma necessidade para a evolução? E não é através dessas experiências transcendentais que nos conscientizamos, além de praticarmos a caridade e recebermos bem mais do que doamos?
Tertuliano calmamente me esclareceu:
- Certamente. Mas, quantos de nós de certo modo, encarnamos, desencarnamos e reencarnamos como se estivéssemos hibernados feito urso dentro da nossa caverna a aguardar a passagem do rigoroso inverno? E o que fazemos quando o verão brilha o Sol da esperança nos aquecendo?
Parou por instantes e exclamou:
- Nada! ou quase nada! nos insulamos em nossas preocupações corriqueiras e não despertamos para nós mesmos!
Prosseguindo disse:
- Deus na sua bondade infinita nos permite a escolha de nossas provas e missões. Se fomos agraciados com a reencarnação não compulsória devemos fazer bom proveito disso. O livre-arbítrio nos permite escolher onde, quando e como. Contudo, esparge-se a oportunidade da realização. Sabermos utilizar com parcimônia nosso tempo e fazer o tempo de servir é sinal de sabedoria.
Respirou fundo, como se arejasse seus pensamentos e concluiu:
- Não nos cabe o julgamento. Nos cabe entender e aceitar, sem nos abstermos da tarefa rogada. E como bem nos diz o Irmão Inácio Ferreira... se exitem forças que conspiram em nosso favor, exitem outras que urdem contra nós. A quais delas oferecemos sintonia?

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