Tal odisseia através de viagem astral foi relatada a todos pela Irmã Eulália, como prévia à reunião que ora se iniciava. Um misto de apreensão e benevolência a todos os médiuns invadia os corações na expectativa de sermos agraciados pela bondade Divina com nova passividade de Fernando. Após o atendimento aos necessitados que aportam em nosso pronto socorro espiritual, em transe Eulália iniciou o seguinte diálogo:
- Por qual motivo esses "pradecos" insistem em minha presença aqui. Já disse e insisto que em mim só haverá paz quando minha vingança contra o Cordeiro se completar. Esse blá blá blá em nada me afeta. Só tenho para vocês ódio, pois destruirei a todos, sem dó e nem pena, desferindo estrondosa gargalhada.
Envolto pelo amor e base doutrinária da Irmã Líria, procedeu-se o seguinte diálogo:
- Querido Irmão, sê bem vindo à nossa Casa de Amor. Sabes que se estás aqui é por causa daqueles que contigo dividiram as dores e alegrias dos dias distantes na Ibéria. O Irmão Alex entende vosso coração inebriado e os motivos, mas não arrazoa suas atitudes desde aqueles escuros dias do Ofício, por isso, tem lhe acompanhado os vossos passos e roga ao Mestre, diariamente, que seu coração se desembriague.
Ao que o Fernando apartou:
- Qual o que? Meus motivos são justos e justo serei em minha vingança contra todos aqueles que professam a Boa Nova. Cada fibra de meu corpo vibra ódio e o ódio me sustenta contra tudo e todos nessa luta. Vingança...vingança...
Ternamente prosseguiu Líria:
- O ódio só nos corrói e nos transforma em algo que na realidade não somos. Olhe-se! Esse ser que representa a monstruosidade é você? Não meu caro Irmão! Somos humanos e a humanidade em nós é representada pelo amor do Pai. Não negues que sentes falta do colo e dos afagos que recebias nos mornos dias primaveris de Toledo. Não negues ainda que, o amor que buscas ofuscar em sua mente é o único que pode ter salvar de ti mesmo, pois teu pensamento só pertence a Ixeya. Vociferando, Fernando apartou:
- Não digas esse nome sua infame! Vingo-me por mim e por ela. Pelo desterro daquilo que ousei sentir e que chamas de amor. Por vê-la tisnar na fogueira. Como pedes a mim que perdoe? Como? Se a última coisa que fitei foram os olhos do meu amor a suplicar-me...Como?
Líria, como se buscasse inspiração no Mais Alto argumentou:
- Como? Quem questiona somos nós. Como não se dar a oportunidade de reencontrá-la e reiniciar a caminhada sabedor que és das sucessivas vidas? Como paralisar no tempo, sabendo que ela luz e sofre por que não podes vê-la ao seu lado? Como desperdiças diversas oportunidades de amar? Como não te permites que o amor que ora acreditar te enfraquecer é o único sentimento que pode te elevar e fortalecer contra os inimigos interiores? Reflita caro Fernando, reflita! Fernando aparteou:
- Após todos esses anos de contenda, não sou digno de perdão ou mesmo de ser amado... Ao que Líria concluiu:
- Olhe ao seu redor, Caro Fernando. O Irmão Alex se apresenta pronto para te amparar. Sabes que a caminhada será longa até que possas reencontrar Ixeya. Mas o impossível não existe para o amor. Ame-se primeiramente. Viva as vidas necessárias no refazimento do seu corpo espiritual e na harmonização da sua alma. As Leis do Pai a todos oportuniza o reinício e o reencontro. Irmãos para te dar o suporte não faltarão e quem sabe não te reencontres com sua amada quando estiveres novamente na carne?
E fez-se silêncio. O Irmão Germânio que por sua mediunidade clarividente a tudo acompanhava, elucidou-nos que foi realizada a separação fluídica entre Fernando e Eulália e que ao ver o Irmão Alex, Fernando em prantos deixou-se envolver por luz diáfana que emanava do franciscano, sendo aconchegado a seu colo e colocado em maca coberta por lençóis extremamente alvos, onde sono profundo lhe tomou a consciência. Foi então conduzido por Irmãos Fraternos à ala de internação do pronto socorro espiritual, sem perceber que Ixeya, airosa e coberta por leves e esvoaçantes vestes em tom azulíneo, emanava intensa luz safirina enquanto acompanhava aquele cortejo radiante da benevolência, sem que contudo, Fernando não podia divisar a expressão do amor.
Aos Irmãos Fraternos.

Mais um que foi socorrido pelo trabalho amoroso dos irmãos em Deus. Louvado seja Deus.
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