quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A branca nova?

Mineiro, filho de tradicional família espírita, daquelas que aparecem em fotos amareladas nos livros espíritas impressos no inicio do século passado, o irmão Hecateu, médium psicofônico ostensivo passou a ter comportamento estranho nas reuniões.
Acostumado com seu feitio sério e contraditório, Tertuliano não entendia a dificuldade que o mesmo passara a apresentar para sintonizar com a espiritualidade. Afeito aos conhecimentos do pentateuco kardecista, Hecateu tinha por bíblia Obras Póstumas, onde sempre pontuava teoricamente os acontecimentos das reuniões, além de nos ajudar a compreendermos melhor alguns conceitos deixados pelo mestre lionês.

Torce o nariz daqui, torce o nariz de lá, se mexe na cadeira, mãos sobre a mesa e mãos sobre os joelhos. Realmente incomodado. Tertuliano percebendo aquela aflição se aproxima e pergunta:

- Tudo bem, irmão Hecateu?
- Não está nada bem, nada bem Tertuliano!
- Mas, o que tanto o incomoda?
- Irmão Tertuliano, tem uma Preta Velha rondando aqui e está querendo falar!
- Sim, mas qual é o problema então?
- O nosso grupo é kardecista e não posso dar passividade a uma Preta Velha!


Pacientemente, questiona o irmão Tertuliano:

- Mas qual o objetivo principal do nosso trabalho? Não é ajudarmos a nós mesmos e ao próximo?
- Sim, é.
- Então, por qual motivo você está segurando a comunicação?
- Mas é uma Preta Velha! Exclamou.


Irmão Tertuliano então completou:


- Poderia ser uma branca velha ou uma preta nova. É o próximo e a nossa obrigação é dar amor!

Mesmo um tanto contrafeito e sucumbindo ao argumento, Hecateu permitiu-se ao acoplamento perispiritual e a partir de então, intermitentemente, ouvíamos bons conselhos para o grupo.
Com o tempo, nosso irmão Hecateu livrou-se dos preconceitos entendendo que tanto a Casa Espírita, quanto o grupo mediúnico estão para servir ao próximo que lá aporta.


Um comentário:

  1. Quantos séculos passarão até percebermos que somos todos iguais: seres de luz perfectíveis em diferentes estágios evolutivos?!

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