quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quem é Soraia – parte 3: O Resgate

O mundo sombrio em que Soraia alojava-se era de fato horripilante digno de roteiro de filme de terror, onde as sombras e o ar denso formavam verdadeiramente as trevas descritas pelo escritor Dante Alighieri, em seu livro “A Divina Comédia”. Como parte integrante daquele ambiente, a dor e o sofrimento, para os moralmente escravizados e a lascívia e a luxúria para os que ainda gozam dos prazeres mundanos.

O local, uma ilha rodeada por um lago de lama, tinha ao centro, uma grande tenda coberta de palha. A luminosidade tênue, mal dava para enxergar o que estava a nossa espera. Para chegar àquele lugar sombrio, somente por meio de uma piroga remada por espíritos que, faziam da travessia, o seu trabalho no orbe espiritual buscando a própria “sobrevivência”.

Eulália, em desdobramento, sabia que a missão de resgatar Soraia não seria fácil, mas tinha total convicção de que a companhia salutar de seu irmão e amigo protetor Samuel, que o controle estava mantido, desde que o pensamento equilibrado fosse cultivado durante todo o resgate, era o tal “pensamento reto” que Mãe Velha vivia ensinando.

O barco vagarosamente aportava em um deck. E, apesar do silêncio da chegada, de longe se ouvia ruídos tamborilados por mãos habilidosas na arte da musicalidade dos tambores. Em prece, Samuel, integrado aos amigos espirituais Junot e Mãe Velha, ambos em planos diferentes, entregou-se a luz divinal e rogou humildemente as bênçãos do Mestre Jesus para as que as dificuldades encontradas fossem dissipadas pelo amor que ele têm por todos nós.

Já chegando a tenda, em um percurso curto de terra batida, Eulália e Samuel, perceberam uma jovem senhora, de pele negra, ancas largas e talentosa no molejo, rodopiando no salão iluminado por tochas incandescentes num ritual quase hipnótico. A moça não tinha a mínima percepção da presença dos dois irmãos em missão e continuava na toada da música atrativa, fonte também de energia que mantinha o lugar.   

Do grande salão, várias portas que davam acessos a quartos, todos ocupados por espíritos, encarnados (todos em estado de desdobramento) e desencarnados, ligados ao submundo do sexo sem limites, bebidas e drogas alucinógenas das mais variadas, sugestionadas pelos mantenedores da casa, a fim de assegurar que as energias do local fossem renovadas a todo momento.

Samuel e Eulália, guiados pela intuição, entraram no quarto de número seis. A cena era esdrúxula, vil e nojenta. Em uma espécie de cama no canto do recinto estava Soraia, sem viço, sem vida, em total apatia, sendo molestada por aquele que dizia ter amor incondicional pela moça. Antenor escravizava Soraia e a utilizava como escrava sexual, sugando suas parcas energias, já que, além de suicida, ainda era posta naquelas condições desumanas e humilhantes.

O que Antenor não desconfiava era da misericórdia de Deus, que nunca nos desampara e nos permite as chances necessárias para o recomeço. As súplicas de sua vó Sinoca, elevadas ao Pai Criador, foram atendidas pelo merecimento da senhora, que por muitos anos abnegou-se aos cuidados com o próximo e nunca esqueceu, nem por um dia, a neta querida que tanto amava.

Ao sentir a presença dos irmãos, Antenor, como que um bicho noturno que não suporta a luz, desapareceu praguejando e jurando vingança aos que ousaram retirar sua escrava, que a tanto custo conseguiu ter em seus poderes. Neste momento, auxiliados por seres de luz intensa, que adentraram a choupana, Soraia foi levada pelos braços amorosos daqueles irmãos que se dedicam ao próximo, numa pura demonstração do amor de Deus por nós.

Emocionados, Eulália e Samuel partem do local com a sensação do dever cumprido, com a emoção de fazer parte dos planos dos arquitetos do espaço que trabalham incansavelmente pela melhora do mundo e das pessoas que o habitam, criados pela força divina: Deus. 

Um comentário:

  1. Como sempre nossos abnegados trabalhadores do Plano Espiritual Maior com sua missão maravilhosa de ajudar sempre e incasávelmente...
    São neles que temos que nos espelhar sempre...

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